Pesquisa da EDC Group aponta que 69% dos profissionais pretendem investir em certificações; 45% já consideram trocar de emprego
A busca por atualização profissional deve se intensificar em 2026. Segundo pesquisa da EDC Group, multinacional especializada em consultoria e outsourcing de recursos humanos, 69% dos profissionais planejam investir em cursos de curta duração e certificações para se manterem competitivos no mercado no próximo ano.
Na sequência das prioridades aparecem o estudo de idiomas (48%) e o aprendizado autônomo de novas tecnologias (44%), formando um tripé que reflete um perfil profissional cada vez mais orientado à agilidade, autonomia e atualização contínua.
Para Daniel M. Campos Neto, o movimento revela uma mudança clara de mentalidade. “Em 2026, o profissional busca velocidade para se atualizar e um caminho concreto para aplicar esse conhecimento na carreira. Cursos curtos e certificações viraram ferramentas para não ficar para trás. Já para as empresas, o desafio é transformar desenvolvimento em prática cotidiana, com trilhas objetivas e oportunidades reais de crescimento”, afirma.
Consenso entre gerações, com diferenças de foco
Os cursos de curta duração lideram as prioridades em todas as faixas etárias: 69% na Geração Z, 72% entre Millennials, 65% na Geração X e 57% nos Baby Boomers. A segunda prioridade, no entanto, varia conforme o perfil. Jovens da Gen Z e Millennials dão mais peso aos idiomas (60% e 47%), enquanto Gen X e Boomers priorizam aprender novas tecnologias por conta própria (48% e 50%).
Segundo Campos Neto, o resultado reflete o contexto de formação de cada geração. “Os mais jovens cresceram em um ambiente globalizado, onde fluência internacional é um diferencial natural. Já Gen X e Boomers foram moldados pelo autodidatismo e pela adaptação constante, especialmente durante a transição do analógico para o digital”, explica.
O estudo também mostra que os Baby Boomers demonstram menor interesse por idiomas, networking e pós-graduação em comparação às demais gerações. De acordo com o executivo, isso está ligado ao estágio mais avançado da carreira. “Nesse momento, o foco deixa de ser expansão ou grandes viradas profissionais e passa a ser eficiência, autonomia e aprendizado aplicado”, diz.
Quase metade considera trocar de emsprego
A pesquisa revela ainda um mercado em ebulição. Embora 55% dos entrevistados afirmem não planejar mudança de emprego, 45% se veem trocando de posição em algum horizonte de tempo. Desse total, 23% projetam a mudança no curto prazo, em até seis meses.
Entre os principais motivos para a decisão, falta de plano de carreira (24%) e salário (24%) aparecem praticamente empatados no topo. Em seguida surgem cultura organizacional (8%) e perfil da liderança (7%), indicando que a decisão vai além da remuneração.
“As pessoas buscam evolução concreta e reconhecimento compatível. Quando a empresa não deixa claro qual é o próximo passo — e em quanto tempo ele pode acontecer — o trabalho passa a ser encarado como temporário”, avalia o CEO da EDC Group.
Motivações variam conforme a idade
O levantamento mostra que a intenção de pedir demissão não é exceção em nenhuma geração. Em todas elas, cerca de metade dos profissionais admite a possibilidade de mudar de emprego. As razões centrais — carreira e salário — se repetem, mas os fatores secundários mudam.
Entre os mais jovens, ganham peso temas como cultura, burnout, flexibilidade e liderança. Já entre os profissionais mais experientes, entram em cena benefícios e condições práticas, refletindo prioridades ligadas ao momento de vida.
“O motivo da demissão começa mais emocional entre os jovens, passa por questões de rotina e gestão na meia-idade e termina em fatores práticos nas gerações mais velhas. Não existe uma fórmula única para retenção”, conclui Campos Neto.
Metodologia
A pesquisa ouviu 476 pessoas em todo o País, com foco no recorte Brasil. O levantamento foi divulgado nas redes sociais da EDC Group e para contatos de sua base de dados, com o objetivo de mapear o que atrai e mantém profissionais nas empresas.
