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A realidade de quem empreende sendo mulher

Lorena Scavone Giron
20 de junho de 2025
Nova norma do Ministério do Trabalho amplia obrigações legais sobre saúde mental no ambiente profissional e acende alerta para o esgotamento enfrentado por empreendedoras brasileiras

Empreender e cuidar da saúde mental ao mesmo tempo é uma realidade dura e, muitas vezes, silenciosa para milhares de mulheres no Brasil. Além de liderar negócios, elas acumulam responsabilidades como maternidade, cuidados com o lar e compromissos sociais, levando a jornadas duplas ou triplas. Essa sobrecarga impacta diretamente o bem-estar emocional.

As empreendedoras geram empregos, lideram equipes, cuidam de filhos e da casa. Essa rotina intensa e muitas vezes solitária pode levar ao esgotamento mental e comprometer a saúde emocional dessas mulheres”, afirma Ana Cláudia Badra Cotait, presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC).

Essa realidade tem se tornado cada vez mais visível. Segundo a pesquisa Empreendedoras e seus Negócios 2023, realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), mais da metade das empresárias brasileiras sofrem com crises de ansiedade e um terço relatam sintomas de depressão ou outras condições relacionadas à saúde mental.

Frente a esse cenário, o governo federal deu um passo importante. A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), revisada pelo Ministério do Trabalho em 2020, terá sua implementação definitiva a partir de 25 de maio de 2026. A principal novidade é a inclusão dos riscos psicossociais, como estresse, assédio, sobrecarga emocional e burnou, entre os fatores que deverão ser monitorados e prevenidos legalmente por empresas de todos os portes.

A medida exige que os empregadores adotem uma cultura organizacional que valorize não apenas a segurança física, mas também o bem-estar mental. Isso inclui o mapeamento de riscos como pressão excessiva, assédio moral e esgotamento, com o objetivo de reduzir índices de depressão, suicídio e afastamentos por transtornos mentais no ambiente de trabalho.

É essencial que empreendedoras estejam informadas e engajadas com a nova norma, pois ela reforça que o cuidado com a saúde mental deve ser uma prioridade dentro das empresas — inclusive nas pequenas”, destaca Ana Cláudia.

Para apoiar essas mulheres, o CMEC — órgão vinculado à CACB, FACESP e ACSP — atua em todo o território nacional com mais de 900 conselhos. Neles, empreendedoras podem trocar experiências, buscar capacitação e encontrar apoio emocional e profissional.

Mais informações sobre a nova NR-1 estão disponíveis no site do Ministério do Trabalho e Emprego (www.gov.br/trabalho), que disponibiliza o texto atualizado da norma e responde dúvidas sobre a sua aplicação.

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