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Na praça, o choro de quem ficou

Da redação
1 de novembro de 2025

A Imagem da Semana de MONEY REPORT foi captada na manhã de quarta-feira (29), que amanheceu pesada no Complexo da Penha, Zona Norte da cidade do Rio de janeiro. Corpos alinhados na Praça São Lucas formaram uma cena que correu o mundo. Ao redor, mães, esposas e irmãs se amparavam, tentando reconhecer os abatidos no confronto decorrente da Operação Contenção, ação conjunta das polícias Civil e Militar que resultou em 121 mortes – sendo quatro delas agentes policiais.

O governo estadual classificou a operação como “um sucesso”, afirmando que todos os mortos reagiram à ação policial e que os feridos foram socorridos. Para familiares, porém, o que restou foi o vazio de quem perdeu alguém, mesmo sabendo por qual razão.

Luto no asfalto

Elieci Santana, 58 anos, dona de casa, contou que o filho Fábio, de 36, mandou mensagem dizendo que se entregaria. “Meu filho se entregou, saiu algemado”, relatou, abraçada a outras mães.

A confeiteira Tauã Brito, de 36, também estava na praça. O corpo do filho, Wellington, 21, foi encontrado entre dezenas de outros. “Ontem ainda tinha gente viva lá na mata. Pedimos pra subir, mas não deixaram”, disse, exausta após uma noite de buscas.

Entre as mulheres, havia um sentimento misto: dor, desconfiança, resignação. Algumas reconheciam que os filhos estavam envolvidos no tráfico, mas ainda assim queriam respostas.

O peso do que fica

A Operação Contenção mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e foi a maior no estado nos últimos 15 anos. O objetivo era conter grupos armados que atuam no tráfico de drogas entre os complexos da Penha e do Alemão.

O saldo — mais de uma centena de mortos, escolas e comércios fechados, transporte públicos interrompido — reacendeu o debate sobre a segurança pública no Brasil.

Organizações civis pedem investigação sobre possíveis excessos, enquanto o governo insiste que a ação foi necessária diante da escalada da violência.



A imagem que fica

No meio da praça, uma mulher se ajoelha e encosta a cabeça sobre o lençol que cobre o corpo do filho sintetizando o dia: o Estado, o crime organizado e as mães, três vértice que se cruzam.

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