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Chips de Taiwan não alteram votos nas urnas

Da redação
8 de agosto de 2026

Uma narrativa que voltou a circular nas redes sociais tenta associar chips fabricados em Taiwan a uma suposta possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas brasileiras. As publicações afirmam que Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes teriam mandado produzir cerca de 250 mil componentes para interferir no resultado das eleições. A informação é falsa.

Segundo checagem publicada pela Agência Lupa, os modelos de urnas de 2020 e 2022 realmente utilizam chips de empresas taiwanesas, como Realtek e Nuvoton. Esses componentes, porém, cumprem funções específicas, como geração de áudio para eleitores com deficiência visual e operação do terminal do mesário, sem acesso ao registro ou à apuração dos votos.

O Tribunal Superior Eleitoral também afirma que os semicondutores utilizados nas urnas são componentes comerciais que chegam sem informações pré-gravadas e passam por análises de segurança. A presença de peças fabricadas em Taiwan, portanto, não representa por si só qualquer risco ao sistema eleitoral.

A origem da distorção está em uma negociação realizada durante a crise global de semicondutores. Em 2020, a Positivo Tecnologia venceu uma licitação do TSE para produzir novas urnas que seriam utilizadas nas eleições de 2022. Com a escassez mundial de chips, houve risco de atraso no cronograma de fabricação.

Na época, Barroso, então presidente do TSE, participou de articulações para garantir que fornecedores estrangeiros mantivessem as entregas contratadas. Entre eles estava a taiwanesa Nuvoton. O episódio, relacionado ao abastecimento de componentes, passou posteriormente a ser usado fora de contexto em publicações que sugeriam fraude eleitoral.

A mesma acusação já havia circulado anteriormente e foi desmentida. Não há evidências de que esses chips tenham capacidade de modificar votos ou resultados, nem de que tenham sido adquiridos com essa finalidade.

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