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Canetas emagrecedoras mudam o mapa da busca por saúde no Brasil

Da redação
29 de julho de 2026
Índice do IBEVAR e da FIA identifica uma virada a partir de 2020, com maior interesse digital por medicamentos, estética e saúde emocional

A maneira como os brasileiros procuram informações sobre saúde mudou nas últimas duas décadas. Temas ligados a medicamentos para emagrecimento, procedimentos estéticos e saúde emocional passaram a superar assuntos como academia, dietas e acompanhamento nutricional, segundo estudo do IBEVAR e da FIA Business School.

A pesquisa analisou menções em redes sociais entre 2004 e 2026, reunindo 270 observações mensais. Os pesquisadores dividiram o comportamento digital em dois grupos: o Estético-Farmacológico e de Saúde Emocional, que inclui termos como Ozempic, Mounjaro, semaglutida, botox, skincare e ansiedade; e o Fitness Estruturado e Dieta Assistida, formado por musculação, crossfit, nutricionistas e dietas acompanhadas.

Durante a maior parte da série histórica, o interesse por exercício físico e alimentação orientada predominou. A mudança ocorreu a partir de 2020, quando cresceram as buscas e discussões sobre ansiedade, terapia online, cuidados com a pele e procedimentos estéticos.

A partir de 2023, a popularização dos medicamentos da classe dos GLP-1 ampliou essa diferença. No início de 2026, o indicador ligado à estética, à saúde emocional e aos tratamentos farmacológicos atingiu o maior nível da série.

O estudo também encontrou uma relação entre renda e interesse por essas soluções. Segundo o levantamento, um aumento de 1% na renda média real esteve associado, em média, a uma alta de 0,27% no fator estético-farmacológico. O resultado sugere que o acesso a medicamentos e procedimentos, geralmente mais caros, acompanha o poder de compra.

Os autores ressaltam que o índice mede o interesse manifestado no ambiente digital, e não necessariamente o consumo ou o uso efetivo dos produtos. A análise foi feita por meio de ferramentas de processamento de linguagem natural, que classificaram menções a 33 termos relacionados à saúde e identificaram sentimentos e emoções associados às publicações.

Os dois grupos explicaram 68,16% das variações registradas no período. O eixo estético-farmacológico respondeu por 35,95%, enquanto o fator ligado a exercícios e dietas assistidas representou 32,21%.

Mais do que indicar o abandono da atividade física, os dados apontam uma diversificação das formas de cuidar do corpo e da saúde. Ao lado da academia e da alimentação, medicamentos, procedimentos estéticos e cuidados emocionais ganharam espaço na rotina — e no orçamento — dos brasileiros.

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