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Tarcísio ou Michelle? Haddad ou Fonteles?

Aluizio Falcão Filho
27 de outubro de 2026

Depois de recolher os caquinhos da derrota, a direita precisa entender os caminhos que levaram ao resultado apurado na noite de domingo. E começar a pensar em 2030, quando a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será definida. Lula terá quatro anos para preparar um sucessor, que hoje não existe. O mesmo vale para o conservadorismo: é preciso preparar alguém para disputar as próximas eleições presidenciais. Neste contexto, surgem dois nomes óbvios. O governador Tarcísio de Freitas e a senadora eleita Michelle Bolsonaro.

Em primeiro lugar, o governador poderia ter sido o candidato da oposição em 2026. Só não ocupou essa posição porque o ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu que seu filho iria ser o concorrente do PL, inviabilizando qualquer pretensão de Tarcísio. Muitos analistas creditam que se o nome do governador estivesse estampado nas cédulas, Lula não passaria os próximos quatro anos aboletado no Palácio da Alvorada. Isso, porém, são águas passadas. É hora de olhar para frente e nos planejar para o futuro. Tarcísio, hoje, desponta como o melhor nome para 2030 e pode aproveitar o desgaste inevitável de um governo Lula em sua quarta edição.

Temos, ainda, a figura da ex-primeira dama, que pode ser apontada por seu marido para a disputa presidencial que ocorrerá daqui a quatro anos. Caso isso ocorra, no entanto, a direita corre o risco de outra derrota. Depois de dois fracassos, o bolsonarismo raiz mostrou que não é uma opção viável para atrair os eleitores de centro. É preciso de uma opção mais inclusiva e Tarcísio parece ser a melhor alternativa.

Durante os últimos oito anos, muito se falou sobre a truculência das campanhas digitais. Só que o enxame de fake news era algo creditado, antes, somente aos direitistas. Em 2026, contudo, a armada comandada pelo deputado André Janones mostrou que a esquerda aprendeu o jogo das redes sociais e conseguiu uma virada inédita do primeiro para o segundo turno.

Essa é uma lição que precisa ser aprendida pelo centro e pela direita se quiserem derrotar o sucessor de Lula em 2030. Não basta apenas confiar que o candidato da esquerda não terá o mesmo carisma do atual presidente. É preciso compreender melhor o que se passa na cabeça do eleitor em vez de simplesmente se revoltar contra o resultado das urnas.

Os brasileiros passam por uma fase ruim na política. Lula foi reeleito com uma rejeição alta. Mas seu oponente também enfrentou resistência por parte do eleitorado, especialmente porque teve seu nome envolvido em algumas denúncias, incluindo uma proximidade letal com aquele que é considerado o inimigo público número um, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Não bastasse isso, Flávio também tinha uma outra relação estreita com mais um personagem controverso, o advogado Willer Tomaz, envolvido no escândalo do INSS. Na reta final da campanha, vieram à tona reportagens sobre viagens de Flávio em jatinho do advogado, o uso de um apartamento de uma empresa de Willer durante a campanha e registros de acesso do senador a uma conta bancária de uma holding do amigo, o que ambos negam. O caso deu munição à estratégia petista de desconstrução e colocou a oposição na defensiva justamente quando precisava avançar sobre o eleitor indeciso.

No que depender de Jair Bolsonaro, provavelmente o ex-presidente vai insistir na escolha de alguém de sua família para disputar a sucessão de Lula, como Michelle. Mas, dessa vez, a direita deve se prevenir e se blindar contra uma possível interferência do ex-capitão.

E na esquerda? Lula precisa preparar o terreno de sua continuidade. Guilherme Boulos, pelo radicalismo, deve ser descartado. E Fernando Haddad? Somente será ungido por vontade única de Lula, já que o ex-ministro perdeu as últimas quatro eleições que disputou. Quem mais haveria entre as hostes petistas? Um nome muito comentado é o do governador do Piauí, Rafael Fonteles. Ele foi, inclusive, citado como um possível ministro da Fazenda. Trata-se de um movimento difícil de entender, pois ele foi reeleito com folga no primeiro turno. Mas se ocupar a pasta econômica, é um sinal claro de que Lula já o escolheu como sucessor e deve preparar o terreno para que ele se torne um nome nacionalmente conhecido. Por enquanto, porém, ninguém ainda sabe no PT quem é que vai ocupar o lugar da liderança que se aposentará daqui a quatro anos.

O bolsonarismo é um fenômeno que conseguiu derrotar o PT em 2018, mas fracassou nas duas tentativas posteriores. Talvez seja hora de repensar a oposição e reformular a comunicação dos líderes conservadores, a começar por Tarcísio de Freitas. A direita precisa passar acionar um freio de arrumação e trilhar um caminho no qual o bolsonarismo seja uma força coadjuvante e não mais sua estrela principal.

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