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Sobre o comportamento de passageiros e de comissários

Aluizio Falcão Filho
30 de agosto de 2026

Nesta semana, me deparei com um artigo que mostrava uma iniciativa da Lufthansa no campo da moda: a companhia aérea lançou roupas com frases que evocam regras implícitas na etiqueta dos passageiros, sempre buscando uma harmonia nos voos. Três frases, em particular, me chamaram a atenção.

A primeira: “Recline com responsabilidade” (imagem). Sempre me incomodei com passageiros acomodados à minha frente que reclinam sua poltrona como se estivessem desviando de uma bala. Tenho um bronca específica com aqueles que jogam o assento para trás de forma brusca logo após a decolagem, como se a própria vida dependesse deste gesto.

Já a segunda frase foi algo que nunca parei para pensar, mas faz todo o sentido: “Quem senta no assento do meio fica com os descansos de braço”. Já me sentei algumas vezes no meio da fileira e os passageiros dos lados resolveram se apossar dos descansos. Tive de abrir espaço, aos poucos, até conquistar algum espaço, já que estava no lugar mais desconfortável de todos. Essa regra implícita deveria ser seguida por todos. Afinal, quem está na janela pode se encostar na parede do avião e outro passageiro tem como se esticar em direção ao corredor. Quem micou no miolo, porém, não tem escapatória.

Por fim, uma frase com a qual não concordo: “É O.K. bater palmas quando o avião pousa”. Confesso que tenho verdadeiro horror a este hábito, que me irrita bastante. Não sei exatamente a razão deste incômodo – deve ser algum ranço elitista de minha parte. Isso, porém, não ocorreu na maioria dos voos que tomei ao longo da minha vida. Quase sempre que ouvi uma salva de palmas foi em voos dentro da América Latina. Mas no Brasil é algo raro.

Só tem algo que me incomoda mais que isso: a atitude arrogante e autoritária de alguns comissários e comissárias de bordo. Estes déspotas do ar, felizmente, são a minoria entre os profissionais das companhias aéreas. Mas experimente questionar a autoridade destes pequenos ditadores: você será ameaçado de prisão, expulsão da aeronave ou banido pela empresa.

O pior acontece quando um passageiro é expulso de seu assento para acomodar outro viajante de classe superior que teve sua poltrona estragada ou coisa do gênero. Gritos e provocações são o modus operandi de quem precisa tirar as vítimas de seu lugar original.

Talvez fosse interessante a Lufthansa expandir essa coleção de frases também para o uniforme da tripulação e não só para a camiseta dos passageiros. Uma peça como os dizeres “seja polido mesmo quando está tirando alguém do lugar” cairia bem no contexto descrito acima. O problema, evidentemente, é que dificilmente uma companhia aérea vai admitir publicamente que parte do desconforto dentro da cabine nasce da própria postura de quem deveria mediar conflitos e não apenas dos passageiros que reclinam abruptamente o assento sem aviso ou batem palmas na aterrissagem.

Regras de etiqueta bordadas numa camiseta, aliás, só funcionam quando existe reciprocidade. Civilidade, afinal de contas, deve ser algo presente entre passageiros e comissários. É melhor aguentar palmas e passageiros egoístas do que um comissário que, na primeira oportunidade, decide lembrar todo mundo que é ele quem manda naquele tubo de alumínio voando a 10.000 metros de altitude.

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