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O que explica a resistência de Flávio nas pesquisas?

Aluizio Falcão Filho
4 de agosto de 2026

Desde que eclodiu o caso Dark Horse, o candidato Flávio Bolsonaro está vivendo um inferno astral: foi alvo de uma discórdia familiar, não conseguiu firmar nenhuma aliança partidária de peso e não emplacou sua candidata favorita à vice-presidência, Tereza Cristina. Esses perrengues foram amplamente noticiados na imprensa e nas redes sociais, gerando uma onda de críticas e postagens negativas. Diante de tudo isso, era de se esperar que o senador minguasse nas pesquisas. Mas, o último estudo BTG/Nexus mostra que ele conseguiu crescer numericamente e estreitou a margem que o separava do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nas simulações de primeiro turno, Lula tem 41% contra 37% de Flávio. É a menor distância entre os dois desde abril, com uma alta de quatro pontos percentuais do oposicionista sobre os resultados apontados na última enquete. Já em relação ao segundo turno, a vantagem do presidente é mínima: 46% a 45% (antes, 47% a 43%).  

O que explica essa performance de Flávio, diante de um quadro tão diverso?

Em abril, durante um evento de MONEY REPORT, a cientista política Cila Schulmann disse que essa parecia ser uma eleição de oposição, assim como tinha sido a de 2022. As revelações sobre as relações entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no entanto, embaralharam o jogo em maio e provocaram uma virada nas pesquisas, que já apontavam uma liderança numérica de Flávio naquele momento.

O que vemos hoje, no entanto, é que – apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelo candidato do PL – o momento parece mesmo ser propício à oposição, dado o desgaste da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso ocorre especialmente em um momento em que a economia mostra sinais positivos, como recordes consecutivos de menor desemprego na história brasileira.

Se, por um lado, a economia mostra força em função dos impulsos fiscais dados pelo governo, por outro o eleitor não consegue abraçar a candidatura de Lula como fizeram no passado. Lembremos que uma pesquisa de julho realizada pelo Instituto Quaest mostra que 51% dos brasileiros acham que Lula não merece um novo mandato. Esse número já foi maior (55%), mas mostra que a maioria do eleitorado resiste à ideia de ter o PT aboletado no Planalto por mais quatro anos. E talvez esteja aí a explicação para a manutenção do senador fluminense no páreo.

Na rodada anterior da própria BTG/Nexus, 50% dos eleitores disseram que não votariam em Flávio de jeito nenhum, contra 48% que responderam o mesmo sobre Lula. Ou seja, o senador cresceu quatro pontos no estimulado sem que sua rejeição se mexesse. Isso significa que ele não conquistou eleitor novo, apenas recuperou o espaço que já lhe pertencia e que estava momentaneamente disperso entre indecisos e votos em outros nomes da direita.

O verdadeiro teste, no entanto, começará no próximo dia 28, com o início da propaganda gratuita no rádio e na TV. Sem coligação, Flávio irá ao ar com pouco mais de quatro minutos, tempo inferior ao que teria se houvesse fechado com o Republicanos ou com a federação União-PP. É exatamente nesse terreno que a blindagem ideológica não o favorece, porque ela garante a lealdade de quem já está dentro da bolha e não ajuda na tarefa de convencer aqueles que estão fora. A partir de agora, o oposicionista terá de calibrar seu discurso para sensibilizar o eleitor de centro, pois o de direita já parece ser sido capturado por ele. Conseguirá? Ainda é cedo para responder.

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