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O papel de Tarcísio na política nacional a partir de domingo

Aluizio Falcão Filho
30 de setembro de 2026

O governador Tarcísio de Freitas aparentemente desatou um nó que complicaria a vida da direita nas eleições legislativas. Na disputa pelas duas vagas do Senado em São Paulo, o deputado e ex-ministro Ricardo Salles subtraía votos de Guilherme Derrite e de André do Prado, mas não os ultrapassava nas pesquisas eleitorais. Com isso, havia uma forte possibilidade de que o estado elegesse para a Câmara Alta as candidatas apoiadas pelo PT, Simone Tebet e Marina Silva. Tarcísio, porém, entrou em campo e convenceu Salles a desistir de sua candidatura. Com isso, deverá haver uma concentração de votos direitistas em Derrite e Prado, reduzindo as chances de Tebet e Marina.

O mérito, no entanto, não é apenas do governador. Ricardo Salles também terá uma parcela de merecimento caso os conservadores emplaquem as duas vagas paulistas no Senado. Afinal, ele deixou as diferenças do passado para trás, sem egoísmo. Recordando: Salles havia tecido críticas a Tarcísio durante os primeiros anos de mandato, dizendo que ele não fazia uma gestão de direita. Ele também criticava André do Prado, a quem chamou de “marionete de Valdemar da Costa Neto”, referindo-se ao presidente do PL.

Salles e Tarcísio uniram forças para tentar impor à esquerda uma derrota no Senado, já que a eleição para o Palácio dos Bandeirantes parece estar com a fatura liquidada. Segundo pesquisa AtlasIntel divulgada ontem, o governador tem 53,3% das intenções de voto, enquanto Fernando Haddad possui 40,1%.

Em 2026, a lógica desta eleição segue o mesmo adágio das décadas anteriores: como a maioria dos eleitores paulistas está no interior, mais conservador, dificilmente o PT conseguiria arrematar o governo paulista. Essa lógica, por exemplo, permitiu que um político anódino como Geraldo Alckmin fosse eleito governador três vezes, escorando-se apenas na polarização com candidatos petistas.

Mesmo quando vence na capital, o PT perde no estado porque as margens são assimétricas. A vitória petista na cidade costuma ser por centenas de milhares de votos; a derrota no interior vem por milhões espalhados por mais de quinhentos municípios. Em 2022, Jair Bolsonaro venceu em 547 dos 645 municípios paulistas e Luiz Inácio Lula da Silva em 97. A capital, desse modo, funciona como amortecedor da derrota no estado, nunca como instrumento de vitória.

Com um triunfo no primeiro turno, Tarcísio terá um novo desafio a partir de domingo: manter acesa a chama da candidatura de Flávio Bolsonaro para o segundo turno. Não será uma tarefa fácil, pois os candidatos legislativos já terão sido eleitos e o eleitorado pode se dispersar. Isso, porém, não ocorreu no último pleito. A abstenção no estado até caiu um pouco de uma etapa para outra (7,5 milhões de eleitores faltosos no primeiro turno contra 7,3 milhões no segundo).

Os votos paulistas serão cruciais para tentar anular a vantagem de Lula no Nordeste, que em 2026 pode ser menor que a de 2022. Mas temos de lembrar que a votação de Tarcísio não se sobrepõe à de Flávio Bolsonaro; na última eleição, cerca de 20% dos eleitores do governador também cravaram o nome do candidato do PT nas urnas eletrônicas. Flávio deve vencer em São Paulo nos dois turnos, mas terá de abrir uma vantagem significativa para ultrapassar Lula no cômputo geral (esperando também contar com uma dianteira razoável em Minas Gerais; por enqunto, porém, as pesquisas mostram empate técnico).

É por isso que Tarcísio de Freitas pode se tornar no grande fiel da balança em 2026. O governador deverá ser o cabo eleitoral mais importante do Brasil nestas eleições. Se Flávio Bolsonaro cumprir sua palavra e , em caso de vitória, não disputar a reeleição, Tarcísio se viabilizaria como o grande nome da direita em 2030. E o mesmo raciocínio valeria para o caso de Lula vencer daqui a três semanas.

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Comentários

Uma resposta

  1. Paulistanos elegeram o João Dória, olha só, em primeiro turno, tudo para não correr o risco de ter Haddad reeleito. O ex-ministro vai levar uma “coça” nas urnas que eu quase teria dó, se ele não fosse petista.

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