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O impeachment de ministros entrou no radar da sociedade

Aluizio Falcão Filho
24 de setembro de 2026

Quando começou a campanha eleitoral, muitos candidatos a senador da direita incluíram em sua plataforma a proposta de trabalhar pelo impeachment de determinados ministros do Supremo Tribunal Federal. A ideia, bastante difundida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2025, parecia um tanto panfletária para muitos analistas políticos. Afinal, esse não seria um tema de apelo popular.

Uma pesquisa realizada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” em parceria com o instituto AtlasIntel, no entanto, mostra que o tema entrou no radar da sociedade brasileira. Segundo o estudo, divulgado ontem, 60,5% dos brasileiros querem o impeachment imediato de Dias Toffoli e 49,8% de Alexandre de Moraes. Além disso, outros 31,9% dos entrevistados acreditam que Moraes deveria ser afastado caso seu envolvimento com o caso Master fosse comprovado (26,1% em relação a Toffoli).

Para piorar, 85,1% dos brasileiros acreditam que “há envolvimento direto de ministros do STF no caso do Banco Master”. Em outro tópico pesquisado, 58% dos entrevistados disseram não confiar no Supremo. Na avaliação individual dos juízes, apenas Cármen Lúcia teve aprovação superior à desaprovação (47% contra 38%). O pior caso é de Toffoli: é aprovado por apenas 5%, diante de 79% que o desaprovam (a diferença, de 16%, é de entrevistados que não souberam responder).

Esse é o pior resultado, em termos de percepção popular, que se registrou no país desde que a pesquisa começou a ser feita, em janeiro de 2023. Em agosto de 2025, havia uma espécie de empate técnico: 51% não confiavam na instituição, contra 49% que confiavam; hoje, o placar é 58% contra e 34% a favor.

Os resultados apresentados pelo “Estadão” mostram que a discussão sobre o STF saiu da bolha bolsonarista, migrou para a direita como um todo e chegou ao centro. Mais que isso, atingiu parte da esquerda. Trata-se de um desconforto que ultrapassa barreiras ideológicas e mostra como a imagem institucional do Supremo está arranhada irremediavelmente.

Curiosamente, o ministro Alexandre de Moraes não aparece no topo da pesquisa como um dos ministros com pior avaliação. Toffoli lidera esse ranking, seguido de Nunes Marques, Edson Fachin, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Luiz Fux. Moraes vem a seguir. Apenas Flávio Dino, André Mendonça e Cármen Lúcia têm índices de imagem positiva acima de 40% (mas Dino e Mendonça têm desaprovação superior à aprovação).

Pode-se dizer que Jair Bolsonaro, neste caso, mirou no que viu e acertou naquilo que não enxergou. O movimento para retirar juízes da Alta Corte surgiu para se defender dos ataques do STF. Ao longo do tempo, contudo, a atuação dos ministros que atazanaram a direita passou a incomodar a maioria da sociedade. A soberba desses magistrados, que se consideram intocáveis e acima de qualquer tipo de prestação de contas, passou a ser um tema de forte interesse em conversas de bar e almoços de família.

O presidente da instituição, Edson Fachin, tem um enorme desafio diante de si: tentar recuperar a imagem desgastada de um tribunal que perdeu sua credibilidade. Ele tem até setembro do ano que vem para fazer isso. Caso contrário, o Supremo pode ingressar em uma nova crise. Segundo a tradição da corte, o próximo da fila a ocupar a presidência do órgão é justamente Alexandre de Moraes, Mas não há uma regra oficial para isso. Trata-se de um hábito consolidado por gerações – o de promover um rodízio no comando do Supremo. Com o racha que observamos recentemente, porém, talvez tenhamos em 2027 um rompimento dessa praxe. Dificilmente, se a eleição fosse hoje, Moraes teria a maioria dos votos – e o resultado mais provável seria o de um empate.

Mas vamos dizer que a tradição vá para o espaço e outro candidato desafie Moraes. Segundo o regimento, se houver dois postulantes, haveria um segundo turno e, persistindo o empate, o cargo vai para a aquele que teria maior antiguidade.

Há cinco ministros que estão na corte há mais tempo que Alexandre de Moraes. Gilmar Mendes encabeça essa lista, mas é alinhado com o atual vice-presidente do tribunal, assim como Dias Toffoli. Fachin não pode ser reeleger. Cármen Lúcia dificilmente iria para um conflito aberto. Com isso, a única alternativa viável é a de Luiz Fux se apresentar como um candidato alternativo. Isso já é discutido nos bastidores do Supremo. E vai virar um tema fortíssimo (caso ninguém seja impedido até lá) a partir de março de 2027.

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