Um dos maiores riscos da profissão jornalística é não perceber o alcance ou o potencial explosivo de um texto. Ou então o estrago que a falta de determinadas palavras pode trazer. Dito isso, gostaria de fazer um mea culpa por conta do artigo que publiquei no último final de semana.
Na coluna de sábado, escrevi sobre o estado deplorável que o antigo prédio da Editora Abril, na marginal do Tietê, se encontrava. Os novos donos do imóvel, os proprietários da rede Marabraz, não conseguiram preservar o edifício, que foi invadido e depredado. Usei esse gancho para contar algumas memórias que colecionei nos dez anos em que trabalhei naquele endereço.
Mas cometi um pecado capital: não deixei claro o suficiente que os atuais controladores da Abril nada tinham a ver com o estado de penúria em que se encontra aquele imóvel. Mais que isso: não exaltei o esforço que a empresa fez para se adaptar às novas regras do mercado de comunicação, que está abolindo o papel em um ritmo de Fórmula-1.
Paradoxalmente à situação em que se encontra o antigo prédio da empresa, a Editora Abril vai encerrar o ano de 2025 com números robustos e um recado claro ao mercado: a empresa voltou a crescer, com o melhor desempenho publicitário dos últimos cinco anos, impulsionado pela força de marcas tradicionais e por novas parcerias comerciais. Na área digital, os dados da Comscore (uma das maiores empresas de medição de audiência do mundo) apontam entre 80 e 85 milhões de pageviews mensais e até 25 milhões de visitantes únicos. A base de assinantes, tanto no impresso quanto no digital, também cresceu.
A movimentação não ficou restrita aos números. A Abril trocou de endereço e agora ocupa uma nova sede no Parque Bruno Covas, zona oeste de São Paulo, ao lado da JHSF e da nova Casa Fasano.
No campo dos eventos, a editora reforçou sua presença com 36 produções próprias ao longo do ano – incluindo um seminário em Nova York, que teve o apoio de MONEY REPORT. No último fim de semana, o Comer & Beber Experience reuniu mais de 6.000 pessoas na capital paulista, com patrocínio de marcas como JBS, 99Food, Renault e Tramontina, além do Governo do Estado de São Paulo
Ainda nesta semana, a empresa promove o Prêmio Top 30 VEJA Negócios, que vai reconhecer as 30 empresas mais relevantes do país em seus respectivos setores — um movimento que reforça VEJA como plataforma de influência entre líderes e tomadores de decisão.
Outro destaque de 2025 foi o lançamento do canal VEJA+ TV, disponível nas plataformas Samsung TV Plus e LG Channels. Em setembro, o canal liderou a audiência entre os canais FAST no Brasil, à frente de nomes como CNN, Record News e Jovem Pan.
Na edição de VEJA seguinte ao registro da morte do fundador Victor Civita, um leitor escreveu: “fico imaginando como seria uma banca sem as revistas da Abril; isso mostra o legado de Civita”. Nos tempos digitais em que vivemos, a mesma lógica pode ser aplicada: o mundo político espera as sextas-feiras para ler as notícias exclusivas de VEJA; o mesmo vale para o conteúdo mensal de VEJA Negócios junto ao empresariado; ou os artigos de Cláudia para o mundo feminino e as matérias da Quatro Rodas para os fãs do automobilismo (para ficar em algumas das marcas geridas pela Abril).
Diante de tudo isso, fica claro que confundir o passado físico de um edifício com o presente vibrante de uma organização é um erro que não posso deixar passar sem correção. A Editora Abril não apenas sobreviveu às transformações do mercado: a empresa se reinventou sem deixar de uma protagonista da comunicação brasileira. Que este texto sirva como reparo, mas também como reconhecimento: o legado de Victor Civita continua vivo, não nas paredes de concreto do antigo prédio da marginal, mas nas ideias, nas marcas e na capacidade de adaptação que a Abril demonstra todos os dias.