Para quem não conhece rock e não entendeu patavina do título, vamos às explicações. Ringo Starr foi o baterista dos Beatles, conhecido pelo estilo econômico nas baquetas. Já John Bonham tocou bateria no Led Zeppelin e é considerado um monstro sagrado da seção rítmica. Ringo era percebido como um músico discreto e Bonham chamava a atenção pela força com que batia nos tambores. Feita a explicação, fica a pergunta: você é um Ringo ou um Bonham? É discreto ou gosta de estar em evidência?
Se você é discreto, temos um problema: pessoas discretas geralmente têm um componente de timidez em sua personalidade e isso pode atrapalhar o trabalho de construção de sua imagem. Mas não é algo insolúvel: a timidez é controlável e pode ser mitigada com o tempo.
Já aqueles que gostam de causar impacto e aparecer, o desafio é outro: controlar a vaidade. Aparecer pouco é ruim para quem deseja construir a própria reputação. Mas aparecer demais também pode ser potencialmente perigoso, especialmente se a vaidade não estiver sob controle.
São duas empreitadas desafiadoras. Para quem é tímido, romper a bolha e, por exemplo, puxar conversa com um desconhecido, é quase uma missão impossível. Já para os vaidosos, ficar abaixo do radar é algo que parece inexequível, até para os mais disciplinados.
Não existe uma regra para eliminar (ou diminuir) a timidez ou o exibicionismo. Mas o primeiro passo é admitir a própria condição e se propor a melhorar. Sem isso, será praticamente impossível fazer uma sintonia fina de quanto é o nível ideal de interação com as pessoas, especialmente no mundo empresarial.
Para os tímidos, o caminho passa por pequenos passos. Vale chegar a eventos e reuniões com três ou quatro assuntos na manga para puxar conversa e começar por ambientes menores, com poucas pessoas, antes de encarar plateias. Fazer perguntas ajuda bastante, porque tira o foco de si mesmo e abre diálogos com naturalidade. Metas modestas, como conversar com duas pessoas novas em cada evento, tornam o processo menos assustador. Os temas que você eventualmente domina bem servem de porta de entrada, já que o conhecimento dá segurança a quem toma a iniciativa da conversa. O desconforto inicial é inevitável, mas diminui a cada nova exposição.
Para os exibicionistas, o exercício é inverso. O primeiro passo é ouvir mais do que falar e reparar quantas vezes se interrompe os outros em um encontro ou evento. Antes de falar qualquer coisa, convém uma autoanálise: os assuntos escolhidos por você vão interessar os interlocutores? Outro ponto importante: cultive o silêncio estratégico durante eventuais discussões acaloradas, porque nem toda polêmica exige opinião.
Os extremos cobram caro para quem deseja trabalhar a própria imagem. O excesso de discrição torna o profissional invisível – e quem não é visto acaba esquecido nas promoções, nos convites e nas oportunidades. O excesso de exposição, de outro lado, gera desconfiança, cansaço e, muitas vezes, antipatia. Uma reputação sólida nasce do equilíbrio entre competência e visibilidade. Ringo e Bonham ensinam isso: os dois entraram para a história porque souberam servir à música, cada um à sua maneira, sabendo a hora de bater forte e a hora de segurar a mão. No mundo corporativo, vale o mesmo princípio. O bom profissional aparece na medida certa, no momento correto e deixa que sua música fale por ele.
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Perfeito.