O pleito de 2026 coloca em disputa 54 vagas no Senado. Dois terços da Câmara Alta, portanto, serão renovados em meio a um clima de polarização que está cada vez mais pesado. O resultado da composição da próxima legislatura poderá ser crucial para o futuro do país e é por isso que os dois lados do espectro ideológico têm interesse redobrado nesta eleição.
A direita, por exemplo, tem o plano de usar os senadores para criar uma sucessão de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, retirando assim parte do poder quase infinito que o STF possui sobre a classe política. Do outro lado do tabuleiro, a esquerda quer controlar o Senado para aprovar ou rejeitar pautas econômicas que devem ser votadas no ano que vem.
Em meio a tudo isso, quinze senadores resolveram não disputar a reeleição e vão ajudar a abrir caminho para uma grande renovação nos quadros da casa que hoje é presidida por Davi Alcolumbre. Em São Paulo, por exemplo, os dois representantes eleitos em 2018 não buscarão um novo mandato. Alexandre Giordano, suplente de Major Olímpio, falecido em 2021, deve desistir da política. Já Mara Gabrilli vai trilhar um caminho inusitado para os senadores: tentará uma vaga de deputada estadual.
Até agora, a liderança nas pesquisas de intenção de voto para os representantes paulistas no Senado é da esquerda, com Marina Silva e Simone Tebet à frente. Ainda é cedo, porém, para dizer que as duas ex-ministras têm a eleição no bolso. Afinal, a escolha de senadores é geralmente a última a ser feita pelo eleitor, que geralmente combina esse voto com o do candidato à presidência da República.
Tomemos como exemplo o caso do senador Marcos Pontes por São Paulo. Até à semana anterior às eleições, ele ocupava o quarto lugar nas pesquisas. No final de semana em que as seções eleitorais foram abertas, no entanto, os mecanismos de busca na internet foram inundados com uma pergunta: quem é o candidato a senador de Jair Bolsonaro em São Paulo? A resposta a essa pergunta era justamente o ex-astronauta e ex-ministro. O que aconteceu? Pontes foi eleito senador.
Dessa forma, Guilherme Derrite, Ricardo Salles (brigado com a família Bolsonaro) e André do Prado ainda têm chances de obter um lugar ao sol na ala norte do Congresso Nacional.
Um cálculo aritmético inicial favorece a direita. As 54 vagas em disputa foram preenchidas em 2018, quando o campo bolsonarista ainda estava em construção e boa parte das cadeiras coube a nomes do centro tradicional. O terço que permanece na Casa, eleito em 2022, no auge da polarização, já é majoritariamente conservador. Some-se a isso o fato de que a eleição para o Senado não conta com quociente eleitoral, o que premia nomes com mobilização forte. Se a direita repetir em 2026 o desempenho que teve em 2022, chegará a algo próximo de dois terços do plenário, patamar que dará poder suficiente para decidir os caminhos do país, não importando quem irá ocupar o Planalto.
Com Lula reeleito, um Senado dessa composição transforma o segundo mandato numa administração de contenção, com dificuldade para aprovar indicações ao STF, ao Banco Central, às agências reguladoras e ao Tribunal de Contas da União, além de travar qualquer pauta econômica que exija maioria qualificada.
Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, a mesma maioria abre caminho para o projeto que a direita anuncia sem constrangimento, ou seja, a abertura em série de processos de impeachment contra ministros do Supremo, medida que exige maioria simples para instaurar e dois terços para condenar. Dessa forma, o Senado deixa de ser casa revisora e passa a ser o centro de gravidade do sistema político brasileiro. É por isso que a disputa pelas cadeiras da Câmara Alta pesa muito mais do que sugere o aparente desinteresse do eleitor por esta eleição em particular.