PATROCINADORES

Bukele, o ponto em comum entre os candidatos de oposição

Aluizio Falcão Filho
27 de agosto de 2026

Na maratona de sabatinas desta semana, o ex-governador Romeu Zema citou o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como um exemplo a ser seguido no campo da segurança pública. Com essa declaração, Zema se juntou ao grupo formado por Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Renan Santos. Esse último, por sinal, vem levando a inspiração salvadorenha a extremos. Recentemente, disse que “quer matar bandidos como se não houvesse amanhã”.

Esquerdistas e moderados ficam horrorizados com esse tipo de afirmação e rejeitam uma política de segurança baseada nos preceitos de Bukele. A principal causa desta rejeição, além dos direitos humanos que são desrespeitados no país centro-americano, é o número excessivo de prisões com base em delações anônimas e provas frágeis.

A obsessão que os quatro candidatos de oposição têm com a estratégia adotada pelo presidente salvadorenho, no entanto, precisa ser levada a sério. A preocupação com o crime organizado é crescente na sociedade brasileira e os eleitores já elegeram a preocupação com a segurança pública o tema de maior importância da atualidade.

Bukele, neste contexto, é um caso de sucesso absoluto. Em 2015, por exemplo, El Salvador tinha 103 homicídios por 100.000 habitantes, o maior índice do mundo naquele ano e pior indicador já registrado no país. Atualmente, porém, esse indicador é de 1,3 homicídio por 100.000 habitantes.

Para chegar a este resultado, Bukele sufocou o crime organizado com uma política de tolerância zero, retirando prerrogativas jurídicas e estendendo ao máximo prisões preventivas. O regime duríssimo das cadeias foi planejado para quebrar a espinha dorsal dos chefões do crime e humilhar diariamente os criminosos. Com isso, há cerca de 90.000 presos no país, o equivalente a 2,5% da população adulta, um recorde mundial.

O resultado destas medidas é, hoje, um país seguro, no qual pessoas andam despreocupadas pelas ruas mesmo nos bairros mais pobres das cidades. As Forças Armadas complementam o trabalho policial e a sensação de proteção é forte entre a população.

No Brasil, vivemos exatamente o oposto, com uma sensação de insegurança que só aumenta. O medo de ser vítima da violência assola a cada um dos cidadãos das grandes cidades e se amplifica nas periferias. Esta sensação é captada pela oposição, que pretende importar o modelo salvadorenho (ou pelo menos seu exemplo de prisões correcionais).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, evidentemente, rejeita utilizar métodos que sejam remotamente semelhantes aos salvadorenhos. Mas percebe que precisa se mostrar um candidato que pretende amplificar o combate às facções criminosas. Esse discurso, entretanto, é muito mais favorável na garganta de um postulante da direita do que em um petista.

Muitos poderão dizer que Bukele adota uma solução extrema que seria prejudicial à democracia brasileira. Isso até pode ser verdade, mas a paciência dos cidadãos está acabando e isso pode resultar em um apoio maciço a essas soluções radicais. Este tipo de receptividade pode ser vista entre a população salvadorenha: Bukele é aprovado por 67,4% da população e tem o apoio de 57 dos 60 deputados do Congresso. O apoio parlamentar conseguiu erradicar a oposição que o presidente sofria do Judiciário. O Parlamento, assim, impediu cinco juízes do órgão equivalente ao Supremo Tribunal Federal brasileiro, substituindo-os por ministros indicados por Bukele.

Fica claro, de qualquer forma, que segurança pública passou a organizar o discurso dos quatro principais nomes do campo oposicionista logo nas primeiras semanas de campanha, cada um adotando um registro distinto para tratar do mesmo problema.

Renan Santos apostou na promessa de eliminação física do criminoso como marca discursiva. Flávio Bolsonaro recorreu a uma fórmula mais indireta, prometendo tirar o bandido “de circulação em pé ou deitado”. Ronaldo Caiado preferiu associar segurança a causas estruturais, resumidas na frase “bandido não se cria”. Romeu Zema, por sua vez, concentrou sua crítica no sistema penal, resumida na frase “o problema do Brasil é que bandido fica solto”, e detalhou a tese num plano de governo batizado “implacável”, com propostas como redução da maioridade penal para 16 anos e uso das Forças Armadas para retomar territórios dominados por facções.

O contraste entre essas quatro abordagens mostra como um mesmo tema pode virar palco para estratégias de comunicação bem diferentes, da retórica mais dura à mais técnica, todas competindo pela mesma pauta de eleitor preocupado com criminalidade. O ponto em comum? A admiração por Bukele, que vai ganhar tração na pauta da campanha da televisão que começa amanhã.

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também