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Aos 30 anos de idade, qual será o futuro do UOL?

Aluizio Falcão Filho
1 de maio de 2026

Nesta semana, na última terça-feira, o UOL completou 30 anos de idade. Maior portal de internet do Brasil, é uma das forças motrizes do Grupo Folha. Poucas pessoas se lembram, no entanto, que a família Frias teve a Editora Abril como sócia do portal no início de suas operações. A Abril tinha o seu próprio site, chamado Brasil Online, que acabou incorporado ao UOL. Com esse movimento, Roberto Civita acabou perdendo o bonde da comunicação digital, já que desistiu da sociedade anos depois, ficando sem um grande portal de comunicação em seu portfólio.

O BOL, que foi apagado da memória da maioria dos brasileiros, mostrava um pot-pourri dos conteúdos produzidos pela editora e muitas notas editadas pela redação própria. Sua primeira página era como a do UOL de hoje: uma página corrida com as principais notícias e fatos; já a do Universo Online era um menu gráfico, com o logo do portal em grande destaque, sem grande vibração jornalística.

A operação da Abril foi ao ar em 26/4, dois dias antes de a Folha abrir o sinal de seu site. E o próprio Caio Túlio Costa, em depoimento ao jornalista Renato Rovai, para sua tese de doutorado, disse o seguinte: “Não havia a menor relação entre o nosso pessoal do UOL com o pessoal do BOL, a única coisa que tinha é que eles estavam sempre um pouco à nossa frente. Onde a gente passava, eles já tinham passado antes. Mas quando surgiram os dois, ficou muito evidente que nós, do UOL, estávamos aproveitando até o último ponto tudo o que os veículos do nosso grupo davam. [..] Então nós estávamos usando o conteúdo produzido pela redação e o BOL estava produzindo um outro conteúdo só para o site”.

Mas como é que surgiu essa fusão? Nesta época, Abril e TV Globo tinham operações concorrentes de TV a cabo: TVA e NET, respectivamente. As duas empresas tiveram seu caixa consumido por conta destas subsidiárias e entraram em uma concorrência feroz.

Roberto Civita, por conta desta competição, passou a achar que os Marinho estavam determinados a tirá-lo do negócio e quis se alinhar a outros grupos de comunicação para ganhar musculatura nesta batalha. Primeiro, buscou o apoio de Silvio Santos, mas as conversas não prosperaram.

Mas, depois, percebeu que tinha uma moeda de troca interessante para firmar uma parceria com a Folha de S. Paulo: o BOL. Foi neste contexto que o Brasil Online foi incorporado ao UOL, que era comandado por Caio Túlio, há muito homem de confiança da família Frias.

Curiosamente, quatro anos depois, a família Frias lançou em parceira com “O Globo” o jornal “Valor Econômico”. Ou seja, se associou àquele que Civita julgava o seu principal inimigo. Três anos depois, a Abril abandonaria a sociedade com o Universo Online.

Roberto Civita morreu em 2013 e a Abril acabou sendo vendida em 2018 para o empresário Fábio Carvalho. Hoje, a companhia é gerida pelo jornalista Maurício Lima e suas publicações digitais têm mais de 47 milhões de usuários mensais. Um número importante, sem dúvida. Mas, se Roberto Civita tivesse mantido o BOL em suas mãos, talvez a penetração da Abril pudesse ser ainda maior: o UOL, por exemplo, possui cerca de 103 milhões de usuários mensais. Essa marca mostra o que o BOL poderia ter obtido caso não tivesse sido incorporado ao então concorrente.

Até hoje, o Universo Online sobreviveu em um mercado no qual as mídias sociais passaram a ditar o estilo e o ritmo dos portais de internet. Agora, com a introdução de tecnologias que vão surgir das ferramentas de inteligência artificial, é de se esperar que haja novas mudanças, que podem ameaçar a liderança do UOL. Aos 30 anos de idade, o portal da família Frias vai precisar aprender a dançar conforme a música dos novos tempos. E geralmente os mais novos conseguem chacoalhar melhor aos ritmos ditados pela juventude.

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