Ter uma boa ideia e recursos para colocá-la em prática não é suficiente para garantir o sucesso de uma empresa. A capacidade de execução, aliada a uma cultura organizacional sólida e a lideranças preparadas para conduzir o crescimento, é o que diferencia negócios que prosperam daqueles que ficam pelo caminho. Essa foi uma das principais mensagens do Encontro de Gerações, promovido nesta segunda-feira (26) por MONEY REPORT. O evento contou com a participação de Alexandre Bettamio, chairman de Global Corporate & Investment Banking do Bank of America, e Diogo Corona, CEO do Grupo Smart Fit. A mediação foi de Aluizio Falcão Filho, publisher de MONEY REPORT.
Ao longo da conversa, os executivos discutiram como suas experiências pessoais influenciaram seus estilos de liderança, os desafios de formar equipes capazes de acompanhar a expansão dos negócios e a importância de preservar valores corporativos sem impedir a renovação. A sucessão empresarial também esteve em pauta, com relatos sobre a continuidade de empresas familiares, a profissionalização da gestão e a preparação de novas lideranças.

“A ideia todo mundo pode ter. Difícil é execução”, afirmou Corona. Ao compartilhar aprendizados da trajetória da Smart Fit, o executivo destacou que a disponibilidade de capital não explica, por si só, por que empresas com condições semelhantes alcançam resultados diferentes. Para ele, é a capacidade de executar a estratégia que transforma oportunidades em resultados. O crescimento também exige mudanças nas equipes: profissionais importantes nas etapas iniciais nem sempre conseguem acompanhar as novas exigências do negócio, o que demanda decisões difíceis e renovação de talentos.
Corona ressaltou ainda a importância do protagonismo e da responsabilidade na gestão. Segundo ele, o líder precisa conhecer a operação em profundidade, participar das discussões e contribuir efetivamente para o trabalho da equipe, em vez de apenas fiscalizar resultados. Essa proximidade permite compreender melhor os desafios do negócio e desenvolver profissionais comprometidos com os resultados e com o futuro da organização.

Bettamio, por sua vez, relacionou sua formação militar à disciplina, ao compromisso e à construção de equipes coesas. Ao recordar sua trajetória no mercado financeiro, incluindo a integração entre UBS e Pactual e sua experiência no Bank of America, o executivo destacou que a cultura de uma organização não pode depender de uma única pessoa. “O líder forma o comportamento das pessoas de baixo”, afirmou. Para ele, cabe à liderança transmitir valores, desenvolver novos gestores e criar condições para que a organização mantenha sua identidade mesmo com a renovação de seus quadros.
O executivo também defendeu o equilíbrio entre competitividade e colaboração. Na avaliação de Bettamio, as empresas precisam buscar resultados continuamente, sem permitir que a disputa interna comprometa a união das equipes. A construção de uma cultura consistente, baseada em responsabilidades claras e no desenvolvimento de talentos, é fundamental para sustentar o crescimento. Ele também ressaltou a importância de formar lideranças capazes de preservar os princípios da organização sem depender exclusivamente de seus principais executivos.
A discussão sobre sucessão trouxe um exemplo concreto desses desafios. Corona diz que não enfrentou disputas familiares pela liderança da empresa. Sua irmã trabalha no grupo, mas não desejou ocupar a mesma posição, enquanto os demais irmãos não atuam na companhia. Ao falar sobre o futuro, o executivo apresentou como objetivo transformar o negócio em um ecossistema mais amplo, conectando as academias a outras oportunidades comerciais e ampliando o alcance da operação para além de seu formato original.
Embora tenham trajetórias distintas, os dois executivos convergiram em um ponto: a continuidade de uma empresa depende da capacidade de construir uma organização que vá além de seus fundadores e atuais dirigentes. Isso exige preparar sucessores, desenvolver equipes, preservar os valores que sustentam o negócio e rever práticas e estruturas sempre que necessário.
Mais do que transferir o comando, uma sucessão bem-sucedida significa garantir que a empresa continue preparada para crescer, inovar e competir em um ambiente de mudanças constantes.
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