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A Nova York dos personagens de “Breakfast at Tiffany’s”

Aluizio Falcão Filho
10 de maio de 2026

Adoro a estética dos anos 1960, especialmente a do início da década. Não vivi essa época, mas idolatro a decoração, os carros e as roupas que estavam em voga nos tempos em que os Beatles eram desconhecidos mundialmente. Móveis com pés palito, penteados femininos com coque alto, ternos de corte elegante, música sofisticada, Impalas com rabo de peixe e taças de dry martini – tudo isso faz parte do cenário de meu paraíso particular.

Talvez nenhum filme represente tão bem esse estilo refinado como “Bonequinha de Luxo” (“Breakfast at Tiffany’s”, de Blake Edwards). O roteiro da película foi baseado em um pocket book de Truman Capote e suavizou bastante a história original (Holly Golightly, vivida por Audrey Hepburn no cinema, era, no livro, uma garota de programa de luxo).

Vi a primeira vez esse filme na “Sessão da Tarde”. E me tornei um fã inveterado. Na primeira vez que estive em Nova York, fui visitar alguns lugares em que as cenas foram filmadas, a começar pela Tiffany, na Quinta Avenida (a clássica cena inicial mostra um táxi parando em frente à loja vindo de um sentido que seria a contramão de hoje). Naquela época, o interior da loja ainda era parecido com a decoração dos anos 1960. Hoje, depois de uma reforma que durou anos, a elegância da loja foi elevada à enésima potência – mas ainda guarda muito da estética de seis décadas atrás.

Tinha lido em algum lugar que o prédio onde a personagem principal morava ficava na rua 71, do lado leste. Fui até lá, perambulando até encontrar o endereço certo: o predinho (na verdade, uma townhouse) ficava entre a Terceira Avenida e a Lexington. Deste local, fui em direção ao Central Park e segui pela primeira entrada. Dei de cara com o anfiteatro onde os personagens de George Peppard e Buddy Ebsen se encontram e falam sobre o passado de Holly Golightly (na verdade, Lulamae Barnes).

Nesta semana, teremos uma agenda atribulada em Nova York. Um dos eventos será realizado justamente na sede da Tiffany, em seu salão exclusivo no décimo andar. Ao final, vou refazer esse trajeto com minha filha, para ela ter uma visão de como era a Nova York dos anos 1960.

Essa revisita terá um sabor especial. Da primeira vez que fiz este percurso, conheci cenários que marcaram a minha imaginação. Com Maria Luiza, vou compartilhar a atmosfera de uma época que continua viva em minha cabeça. Caminhar por esses lugares novamente, agora com outro olhar e outra companhia, poderá me mostrar como certas estéticas e memórias permanecem pulsando, mesmo quando a cidade muda e o tempo avança.

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Comentários

Uma resposta

  1. Adorei o texto, Aluizio! Viajei junto com você pela Nova York dos anos 60, Audrey Hepburn, Tiffany’s e tudo mais. Que delícia de nostalgia. Parabéns!

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