PATROCINADORES

A IA faz sucesso, mas por enquanto só queima caixa

Aluizio Falcão Filho
22 de setembro de 2026

Todo mundo está falando sobre Inteligência Artificial e milhões de pessoas usam essas ferramentas diariamente. Trata-se de um sucesso de mercado estrondoso. Mas, do ponto de vista financeiro, as empresas de IA ainda queimam muito caixa e estão longe da lucratividade. A Open AI, por exemplo, faturou US$ 13 bilhões em 2025. Parece um resultado estrondoso de vendas. Só que o prejuízo da empresa foi de US$ 38 bilhões no mesmo período. O caso desta companhia não é isolado: todo o mercado como um todo apresenta uma performance igual.

Esse prejuízo tem origem em três fatores. O primeiro é o custo envolvido em cada que vez que o cliente utiliza uma plataforma. No software tradicional, atender um cliente a mais custa quase nada (quando escrevemos em um processador de texto como o Word, por exemplo, a Microsoft não gasta nada com isso). Já no caso da IA, cada pergunta feita ao ChatGPT, ao Claude ou ao Gemini consome processamento caro em chips e energia. Um agravante: para conquistar usuários, as empresas oferecem versões gratuitas e assinaturas baratas; com isso, subsidiam o uso dos aplicativos.

Ainda temos os custos de infraestrutura: data centers, chips da Nvidia e contratos de energia que somam centenas de bilhões de dólares, com compromissos que se estendem por anos. Por fim, temos a corrida tecnológica. Cada nova geração de modelos IA tem custos crescentes de desenvolvimento e treinamento; além disso, os chips perdem valor de mercado em pouco tempo e essa desvalorização, em alguns casos, precisa ser contabilizada nos balanços.

A soma de tudo isso mostra um segmento que vai perder dinheiro durante muito tempo, provavelmente até 2030, antes que as companhias comecem a dar lucro. Isso ocorreu em outros mercados emergentes, com gigantes atuais como Amazon, Uber e Netflix. Mas existe outro exemplo de modelo de negócios que talvez seja mais parecido com o da IA, embora muito mais antigo.

Estamos falando da expansão da rede ferroviária no Século 19.

Os paralelos com a inteligência artificial são evidentes. Como as ferrovias, a IA exige um investimento colossal antecipado, feito na aposta de que a demanda virá depois. Os primeiros a lucrar seriam os fornecedores, com a Nvidia no papel que as siderúrgicas e as construtoras tiveram no século 19. E paira o mesmo risco de excesso de capacidade: data centers redundantes erguidos por concorrentes que disputam o mesmo cliente, como os trilhos que corriam lado a lado sem carga para justificar a existência de ambos.

A diferença mais relevante está em quem paga a conta. No século 19, o custo recaiu sobre pequenos investidores alavancados e sobre dinheiro público. Hoje recai, na maior parte, sobre gigantes com caixa próprio, como Google, Microsoft e Meta, capazes de absorver perdas que teriam quebrado qualquer companhia ferroviária. Mas a fatia financiada com dívida cresce a cada trimestre e é justamente ela que merece atenção. Se houver um estouro, é por ali que ele deve começar.

Nada disso, porém, parece impedir o avanço tecnológico. Nem o interesse dos usuários. Por isso, o destino da IA deve ser o mesmo da rede ferroviária: depois das dificuldades iniciais, veio a abundância de clientes, que tornou esse mercado mais que rentável.

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também