O Facebook perdeu US$ 56 bilhões (R$ 306,8 bilhões) em valor de mercado depois que uma frente de 150 empresas, incluindo Coca-Cola e Unilever, anunciaram a suspensão de seus investimentos em publicidade, como forma de protesto ao modo frouxo com que os discursos de ódio são tratados na plataforma. Em uma semana, o bilionário criador da rede social Mark Zuckerberg (imagem) teve sua fortuna encolhida em US$ 7,2 bilhões (R$ 39,4 bilhões). Em 2019, o Facebook faturou cerca de US$ 70 bilhões em publicidade, com um crescimento de 27% em relação ao ano anterior.
A preocupação das empresas é ter suas marcas exibidas ao lado de publicações e comentário tóxicos e violentos durante a próxima campanha eleitoral nos Estados Unidos. Na sexta-feira (26), a Unilever declarou que iria retirar seus investimentos em publicidade no Facebook, Twitter e Instagram até o final do ano, pelo menos. “Com base na atual polarização e na eleição que teremos nos EUA, precisa haver muito mais fiscalização na área do discurso de ódio”, disse Luis Di Como, vice-presidente executivo de mídia global da Unilever. No mesmo dia, a Coca-Cola suspendeu os gastos em publicidade em todas as redes sociais por 30 dias. Também adotaram a mesma postura Starbucks, Verizon, Diageo, Patagonia, VF, Eddie Bauer e Recreational Equipment, North Face e Ben & Jerry’s, entre outras.
O recado é mais do que claro. As decisões das empresas foram tomadas depois que o Facebook anunciou que iria moderar o conteúdo postado na sua plataforma, rotulando algumas publicações de acordo com um pouco rígido critério de potencial para causar dano ou de desinformação. Mark Zuckerberg afirmou que vai proibir anúncios ameaçadores contra “pessoas de raças, etnias, nacionalidades, religiões, castas, orientações sexuais, identidades sexuais ou status de imigração específicos”. A medida foi considerada insuficiente para combater a disseminação de discursos de ódio na rede.
Os organizadores da campanha “Stop Hate That Gain Profits” (“Um basta ao ódio que dá lucro”) acusam o Facebook e outras plataformas de não agirem com a necessária firmeza. Eles querem que a empresa submeta o conteúdo a auditorias independentes, exclua grupos que publiquem mensagens de ódio e fake news e crie equipes especializadas para revisar as reclamações dos usuários. Mais de 150 grandes empresas aderiram à campanha “Stop Hate That Gain Profits”. Muitas, como a Coca-Cola, não o fizeram de maneira oficial.
