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Pesquisa da EY mostra que empresas pretendem vender ativos para reduzir dívidas

Da redação
19 de junho de 2020

Um estudo feito pela EY com mais de 1.000 executivos de todo o mundo revela as estratégias das empresas para superar os efeitos da crise do novo coronavírus e as oportunidades que deverão surgir. Entre as companhias da América Latina, 100% indicaram que venderão ativos para reduzir dívidas e 60% já planejam revisar seus portfólios. “Com um ambiente fortemente afetado pela crise e limitadas opções de alocação de capital, as empresas devem focar na gestão estratégia de seus ativos e melhorar a execução dos desinvestimentos para garantir a saúde futura de seus negócios”, comentou Fabio Schmitt, sócio de Transações Corporativas da EY. “Acionistas em geral e principalmente os ativistas vão cobrar um plano sólido de resposta à crise, o que gera a necessidade de executivos estarem cientes de quais negócios devem permanecer no portfólio e quais devem ser rapidamente separados”, acrescentou.

Diante do cenário desafiador, uma das oportunidades que as vendas podem trazer é a de acelerar agenda da inovação. A avaliação da pesquisa da EY é que a crise vai intensificar a necessidade de aportes em áreas como automação, com 52% das empresas globais pretendendo financiar investimentos em tecnologia por meio de desinvestimento. “O período pós-crise se caracteriza por crescente competitividade com a tecnologia fazendo um papel disruptivo nos modelos de negócio e acelerando mudanças. Empresas que desinvestem protegem a habilidade de gerar caixa, possibilitando uma melhor performance”, apontou Fabio.

O levantamento também projeta uma forte onda de desinvestimentos no Brasil nos próximos 24 meses. A particularidade da região, conforme a sondagem, é que apesar da valorização do dólar frente ao real, que poderia favorecer as transações, a maioria dos executivos brasileiros acredita que a desaceleração econômica deve resultar em um maior gap de preços, uma diferença de até 20% entre o que esperam os vendedores e o que estão dispostos a pagar os compradores. “O Brasil está amadurecendo a cultura de desinvestimento estratégico. A rotina de avaliar o portfólio é nova nas empresas locais, mas a pesquisa mostra que os executivos estão cada vez mais cientes que uma boa gestão de capital requer análises e revisões constantes”, destacou o sócio da EY. “É preciso reavaliar os benefícios de possuir negócios não core e considerar potenciais parcerias estratégicas que possam gerir melhor os ativos, aumentando a agilidade e o valor das empresas, principalmente no cenário atual”, completou Fabio.

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