O uso intensivo de aplicativos não melhorou a vida dos entregadores durante a pandemia, principalmente os de comida. Com o desemprego e o aumento da informalidade, esse trabalhadores passaram a ganhar menos, apesar das jornadas mais longas e mais trajetos percorridos a cada dia. A constatação surgiu a partir de pesquisa da Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Remir Trabalho). Um questionário online foi preenchido por 252 entregadores de 26 cidades, em quatro estados, entre os dias 13 e 20 de abril. O resultado foi divulgado pela BBC News Brasil, nesta quinta-feira (7).
Entre os entrevistados, 60% afirmaram terem sofrido uma queda na remuneração, na comparação com o período imediatamente anterior ao início da pandemia. Outros 28% disseram que os ganhos permaneceram iguais. Apenas 10% declararam ganhar mais. Antes da pandemia 49%, dos entregadores recebiam, no máximo, R$ 2.080 por mês. Hoje, são 73%. Agora, apenas 25% dos cadastrados nas plataformas de entrega alegaram ganhar mais. Antes, eram 50%.
Os pesquisadores acreditam que “as empresas estão promovendo uma redução do valor da hora de trabalho dos entregadores em plena pandemia e sobremajorando seus ganhos”. Para uma das coordenadoras do estudo, Ludmila Costhek Abílio, da Unicamp, é preciso valorizar mais esses profissionais, em vez de achatar seus ganhos. “Os motofretistas viraram trabalhadores de serviço essencial”, afirmou. As empresas negam que tenham reduzido os valores. Além de Abílio, a pesquisa foi coordenada pelos professores Ana Claudia Moreira Cardoso (UFJF), Henrique Amorim (Unifesp), Paula Freitas Almeida (Unicamp), Renan Bernardi Kalil (MPT), Sidnei Machado (UFPR) e Vanessa Patriota da Fonseca (UFPE).
O levantamento apurou também que 62% dos entregadores não receberam nenhuma das empresas materiais de proteção, como álcool em gel, máscaras, e orientações sobre como lidar com os produtos e manter contato com os clientes.
