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Governo pode emitir moeda caso a recessão se aprofunde

Da redação
30 de abril de 2020

O ministro da Economia, Paulo Guedes, pintou o pior dos quadros possíveis na audiência pública que participou junto ao Congresso, nesta quinta-feira (30). Guedes afirmou que o governo não descarta emitir moeda, caso a recessão combine desemprego em massa, juros em queda e inflação perto de zero, criando o que chamou de armadilha da liquidez. “O BC pode emitir moeda e pode, sim, comprar a dívida interna. Se a taxa de juros for muito baixa ninguém quer comprar título longo e aí poderemos monetizar a dívida sem que haja impacto inflacionário. Estamos atentos a todas as possibilidades”, disse aos parlamentares.

Adepto do receituário neoliberal, Guedes se vê diante da possibilidade de adotar saídas menos compromissadas com a austeridade fiscal. Na audiência, o ministro explicou que a prioridade com os desdobramentos econômicos da pandemia superaram a importância das reformas estruturais, mas deve haver cuidado para o governo não se levar pelo oportunismo populista. “O mundo espera que as reformas prossigam e que a gente tenha austeridade do ponto de vista de entender que em uma crise não pode faltar dinheiro para a saúde. Mas isso não pode virar uma farra eleitoral. Temos que ter senso de responsabilidade”, declarou.

Há gordura monetária para queimar. O Brasil possui reservas internacionais que somavam quase US$ 350 bilhões no final de 2019. O BC vendeu parte desses dólares, mas o índice atual está acima da média mínima de adequação recomendada pelo FMI, que considera a dívida externa de curto prazo, as importações e o volume de recursos em aplicações financeiras domésticas.

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