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Número de celulares diminui, mas ainda supera quantidade de pessoas no Brasil

Da redação
16 de janeiro de 2019

Levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgado no dia 11 de janeiro aponta que o Brasil registrou 231,8 milhões de linhas de telefonia móvel no mês de novembro, apresentando uma queda de 0,65% na comparação com o mês anterior e de 3,04% no acumulado de 12 meses.

Segundo a consultoria Teleco, especializada no mercado de telecomunicações, a base de celulares no país vem diminuindo desde 2014, quando atingiu o número recorde de 281 milhões de linhas móveis – contabilizadas a partir da quantidade de chips ativos. A empresa atribui a queda ao abandono do segundo chip pelos usuários, em geral para planos pré-pagos.

Apesar de a quantidade de dispositivos móveis ativos estar diminuindo, o dado da Anatel chama a atenção por um simples fato: há mais celulares do que pessoas no Brasil, uma vez que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a população do país em 208 milhões de habitantes.

Para o analista da consultoria IDC, Renato Murari Meireles, a grande quantidade de smartphones está ligada ao aumento do trabalho informal nos últimos anos, que minimiza os efeitos do abandono do segundo chip. “Acredito que o uso de um segundo aparelho por parte de alguns usuários tem relação com o crescimento de atividades como o Uber e o avanço do home office”, analisa. “O consumidor entende que é preciso adquirir mais um celular para realizar esses trabalhos informais, deixando outro para uso pessoal.”

Mais qualidade, menos quantidade

A queda no número de linhas móveis constatada pela Anatel se reflete nos dados de vendas de celulares. A própria IDC estima que o ano de 2018 vai fechar com baixa de 6% em unidades vendidas, na comparação com 2017. Só no quarto trimestre do ano passado, o recuo deve ser de 10,5% em relação ao mesmo período de 2017, com estimativa de 11,3 milhões de unidades vendidas.

Contudo, a receita a partir da venda de celulares deve encerrar 2018 com alta de 5%, demonstrando que os consumidores estão comprando aparelhos mais sofisticados e, portanto, mais caros. “Temos um usuário cada vez mais informado e disposto a pagar mais, buscando dispositivos mais sofisticados”, afirma Meireles. A retomada da atividade econômica nos últimos meses também contribui, pois aumenta a confiança e o poder de compra da população.

O especialista explica que o preço médio gasto por celular tem aumentado nos últimos anos. “No terceiro trimestre de 2017, o ticket médio na faixa entre R$ 700 e R$ 1.099 representava 56% das vendas, enquanto o ticket entre R$ 1.100 e R$ 1.999 era de apenas 18%”, diz. “No mesmo período de 2018, o ticket entre R$ 700 e R$ 1.099 passou a representar 35%, enquanto a faixa entre R$ 1.100 e R$ 1.999 hoje é de aproximadamente 30%. E a tendência é que esta ganhe cada vez mais espaço.”

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