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Exame: “Estamos em um momento de incerteza, mas saúde é setor resiliente”, diz CEO do Fleury

Da redação
6 de novembro de 2026
Companhia teve aumento de 43% no lucro do terceiro trimestre de 2026, na comparação anual

O Fleury apresentou resultados robustos do terceiro trimestre de 2026. De julho a setembro deste ano, a empresa de medicina diagnóstica reportou um lucro líquido de R$ 264,3 milhões, crescimento de 42,9% sobre o 3T25.

A receita bruta da companhia foi de R$ 2,695 bilhões, aumento de 13,3% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que 9,9% foi orgânico. O Ebitda foi de R$ 672,2 milhões, 12,2% acima de 3T25 — apesar da margem ter recuado 31 pontos-base de 27,4% para de 27,1%.

As projeções para o futuro não são negativas. Para Jeane Tsutsui, CEO do grupo, o cenário macroeconômico é desafiador, mas o segmento é resistente. “Estamos em um momento de incertezas e precisamos de um pouco mais de tempo para ver como as coisas vão caminhar […] mas saúde é um setor resiliente, porque as pessoas precisam dela”, diz.

Ela enfatiza que, apesar da manutenção da Selic em 13,75% na reunião de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom), a alavancagem da companhia é baixa, em 1x ao final do 3T26, estável em relação ao trimestre anterior ao mesmo período de 2025.

Aquisições podem continuar

Neste cenário, as aquisições, conhecidas por fazer parte de toda os 100 anos do Fleury, tendem a continuar, mesmo em um cenário de juros altos. Apesar do custo de capital elevado, a CEO afirma que a companhia mantém condições financeiras para continuar investindo. “A empresa continua fazendo os investimentos necessários para suportar o crescimento que vem mantendo”, afirmou.

A executiva pondera, porém, que o cenário exige cautela na avaliação de novas oportunidades. A estratégia de crescimento segue apoiada principalmente na expansão orgânica, mas não exclui aquisições, desde que os negócios atendam aos critérios financeiros e estratégicos do grupo.

“Essas aquisições precisam ser feitas com um nível de disciplina muito grande em relação ao valor. E, em segundo lugar, é preciso realmente fazer a integração para capturar as sinergias”, disse. Para Tsutsui, a resiliência do setor também ajuda a sustentar as perspectivas da companhia.

Embora exista uma relação entre o nível de emprego e a quantidade de beneficiários de planos de saúde — já que cerca de 70% da saúde suplementar é financiada pelas empresas como benefício aos funcionários —, a executiva destaca que a parcela da população com acesso a esses serviços permanece próxima de 25% há alguns anos.

“Do ponto de vista de estratégia, acredito que não muda muito. Crescemos principalmente organicamente. Eventuais aquisições podem acontecer, mas com toda a disciplina necessária, principalmente neste momento, em que o custo de capital está alto”, afirmou.

A CEO acrescentou que o rigor na alocação de recursos não se limita às operações de fusões e aquisições. “Não só o M&A, mas também a alocação de capital de uma maneira geral e os investimentos precisam ser muito criteriosos. E fazemos isso aqui com todo esse rigor.” Desde 2017, a companhia fez 23 aquisições, com R$ 2,5 bilhões investidos. A mais recente foi a Unilab, comprada por R$ 55 milhões em outubro deste ano.

Inovação e investimentos

A redução de 18,4% no Capex do Fleury no terceiro trimestre, para R$ 102,8 milhões, reflete principalmente a diminuição dos investimentos em tecnologia. Segundo José Filippo, CFO, a companhia concentrou recursos em TI e digital nos últimos anos para desenvolver plataformas que agora já integram sua operação.

Com isso, a necessidade de novos aportes nessa frente diminuiu, enquanto a empresa voltou a direcionar mais recursos para a expansão da oferta e da capacidade das áreas técnicas. “Isso não quer dizer que deixamos de investir”, afirmou. Segundo o executivo, a tendência é de normalização dos valores, já que a comparação parte de uma base mais elevada de investimentos.

A inovação, porém, segue no centro da estratégia da companhia, especialmente na ampliação do portfólio de exames. De acordo com a CEO, mais de mil novos testes e serviços foram incorporados nos últimos dois anos, com destaque para a oncologia de precisão, área que busca identificar doenças precocemente e ajudar médicos a definir tratamentos.

A geração de caixa também mantém no radar a distribuição de proventos aos acionistas. No terceiro trimestre, a conversão de caixa correspondeu a 100,8% do Ebitda. Segundo o CFO, o Fleury tem histórico de distribuir uma parcela relevante do lucro e conta com uma presença expressiva de investidores pessoas físicas.

“Não temos guidance em relação a isso. O que podemos dizer é que, se tivermos uma geração de caixa que permita, sem aumentar nossa alavancagem, manter os níveis de distribuição que historicamente praticamos, essa é uma possibilidade”, afirmou.


Por Rebecca Crepaldi

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