Quando talentosos usam a disciplina a seu favor, ninguém os segura
Antes de pensar em construir a própria reputação, avalie suas características e, evidentemente, seja honesto consigo mesmo sobre suas capacidades intelectuais: você realmente tem as habilidades necessárias para ser reconhecido como uma autoridade intelectual sobre um determinado assunto? Digamos que sim. Neste caso, é preciso fazer outra pergunta: você possui a disciplina necessária para conseguir este objetivo?
Os disciplinados são vistos erroneamente como pessoas medianas que se esforçam para superar suas limitações. Bem, isso até pode ocorrer em certos casos. Contudo, quando talentosos usam a disciplina a seu favor, ninguém os segura. Seguir algum tipo de disciplina, no entanto, não significa fazer tudo igual sete dias por semana. Cada um pode encontrar seu próprio método. Conheço gente muito criativa que conquistou sucesso à base de uma disciplina que não era nada previsível, mas que funcionava para eles.
Faça, antes, um teste. Escolha um objetivo que requeira esforço e tente realizá-lo. Pode ser algo no plano físico ou intelectual. Entretanto, trace uma meta que vá precisar de empenho e dedicação. Se você passar por esse teste, as chances de conseguir construir uma reputação são altas. Sem disciplina, porém, sinto informar: não vai dar certo.
No meu caso, escolhi corridas de longa distância. Meu primeiro objetivo foi correr uma maratona. Como chegar neste objetivo? É preciso cumprir uma sequência exaustiva de treinos e ir superando metas: correr 5 quilômetros, depois dez. Disputar provas de meia maratona. Depois, percorrer 30 quilômetros. Por fim, os 42 quilômetros e 195 metros. Para isso, são necessários treinos curtos de ritmo forte; de velocidade alternada (fartlek); subidas; tiros (disparadas de 100 a 200 metros); treinos longos de duas horas (ou mais). Só se consegue isso com muita dedicação.
No mundo corporativo, para ser uma autoridade em determinado assunto, é igual: temos que treinar, treinar e treinar até conseguir nosso objetivo. E continuar treinando para evoluir e melhorar nossa performance.
A boa notícia é que a disciplina mental pode ser treinada como o fôlego de um maratonista. O primeiro passo é trocar o objetivo gigante por metas progressivas: antes da maratona vêm os 5 quilômetros e antes do livro vêm os artigos, as palestras para plateias pequenas e os cursos de curta duração. O segundo é ter uma planilha. Corredores sabem exatamente o que farão em cada dia da semana, e quem deseja se tornar referência num assunto precisa reservar na agenda horários fixos para ler, estudar e escrever, protegidos como uma reunião com o principal cliente. O terceiro é registrar o progresso. Assim como o relógio de corrida mostra a evolução do ritmo, um caderno com o que foi lido, escrito e aprendido revela avanços que o dia a dia esconde.
Há ainda duas lições que só a experiência ensina. A primeira é que a constância vale mais do que a intensidade: três treinos moderados por semana, durante um ano, levam mais longe do que um mês de esforço heroico seguido de abandono. A segunda é que o descanso faz parte do plano. Maratonistas intercalam semanas mais leves para o corpo assimilar a carga e a mente também precisa de pausas para consolidar o que aprendeu. Todo corredor conhece o famoso muro, aquele momento perto do quilômetro 30 em que o corpo implora para parar. Na construção de uma reputação, o muro aparece nos dias sem motivação, sem reconhecimento e sem resultado visível. É nesses momentos que a disciplina faz diferença. Quem segue em frente chega à linha de chegada e é lá que a reputação começa a ser construída.