Primeira versão de carta divulgada por Flávio Bolsonaro trouxe brasão da antiga República, com “Estados Unidos do Brazil”, e virou um dos detalhes mais curiosos da crise pós-eleitoral
A Imagem da Semana está no cabeçalho de uma carta. A primeira versão do documento atribuído a Flávio Bolsonaro trazia o antigo brasão da República e a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com “z”, denominação oficial adotada após a Proclamação da República, em 1889.
O símbolo permaneceu em vigor até a década de 1960, quando o país passou a se chamar oficialmente República Federativa do Brasil. Mesmo assim, foi ele que apareceu no documento divulgado por aliados de Flávio em 2026. Treze minutos depois, uma nova versão já circulava com o brasão atual.
E não foi a única mudança. A Folha de S.Paulo identificou ao menos quatro versões da carta. Além da troca do brasão, houve alterações na forma como Flávio se apresentava: inicialmente, como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”; depois, como “líder do Brasil”.
O texto foi divulgado depois da derrota de Flávio para Lula no segundo turno. Nele, o senador contesta o resultado, afirma, sem apresentar provas, que houve fraude e diz que pretende comandar a oposição a partir dos Estados Unidos. O resultado oficial do TSE deu a Lula 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.
O uso do brasão atual em versões posteriores também provocou questionamentos jurídicos. Especialistas apontaram que a utilização de símbolo oficial para dar aparência institucional a uma comunicação particular pode, dependendo das circunstâncias, configurar infração. O simples uso do brasão, porém, não caracteriza crime automaticamente.
No fim, a carta que pretendia lançar uma nova etapa da atuação política de Flávio acabou chamando atenção antes mesmo pela primeira linha.
A Imagem da Semana fica com esse pequeno detalhe histórico: em um documento sobre o futuro político do país, o primeiro Brasil escolhido para o cabeçalho já não existia havia quase seis décadas.
