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A carta que começou no século errado

Da redação
31 de outubro de 2026
Primeira versão de carta divulgada por Flávio Bolsonaro trouxe brasão da antiga República, com “Estados Unidos do Brazil”, e virou um dos detalhes mais curiosos da crise pós-eleitoral

A Imagem da Semana está no cabeçalho de uma carta. A primeira versão do documento atribuído a Flávio Bolsonaro trazia o antigo brasão da República e a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com “z”, denominação oficial adotada após a Proclamação da República, em 1889.

O símbolo permaneceu em vigor até a década de 1960, quando o país passou a se chamar oficialmente República Federativa do Brasil. Mesmo assim, foi ele que apareceu no documento divulgado por aliados de Flávio em 2026. Treze minutos depois, uma nova versão já circulava com o brasão atual.

E não foi a única mudança. A Folha de S.Paulo identificou ao menos quatro versões da carta. Além da troca do brasão, houve alterações na forma como Flávio se apresentava: inicialmente, como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”; depois, como “líder do Brasil”.

O texto foi divulgado depois da derrota de Flávio para Lula no segundo turno. Nele, o senador contesta o resultado, afirma, sem apresentar provas, que houve fraude e diz que pretende comandar a oposição a partir dos Estados Unidos. O resultado oficial do TSE deu a Lula 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.

O uso do brasão atual em versões posteriores também provocou questionamentos jurídicos. Especialistas apontaram que a utilização de símbolo oficial para dar aparência institucional a uma comunicação particular pode, dependendo das circunstâncias, configurar infração. O simples uso do brasão, porém, não caracteriza crime automaticamente.

No fim, a carta que pretendia lançar uma nova etapa da atuação política de Flávio acabou chamando atenção antes mesmo pela primeira linha.

A Imagem da Semana fica com esse pequeno detalhe histórico: em um documento sobre o futuro político do país, o primeiro Brasil escolhido para o cabeçalho já não existia havia quase seis décadas.

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