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O que leva a Localiza a ser ‘uma das companhias mais bem geridas’ da bolsa

Pedro Knoth,
para MR
17 de outubro de 2026
Após atravessar ‘maior crise de sua história’ em 2024, Localiza está pronta para crescer com escala e rapidez, diz CEO; BTG mantém recomendação de compra

Carros chineses, salto inesperado nos juros e um negócio dependente da injeção intensiva de capital fizeram com que o biênio de 2023 e 2024 fosse um dos mais difíceis da história da Localiza&Co. A fala é do CEO da companhia, Bruno Lasanky, durante entrevista a um podcast da americana Bain&Company. Passados os desafios, superados pela locadora de veículos automotivos, o BTG Pactual enxerga “uma das companhias mais bem geridas” em sua cobertura de papéis listados na bolsa de valores e reafirmou a recomendação de compra para as ações da Localiza (RENT3).

O banco de investimento se baseia em três pilares que a Localiza mostra frequentemente ao mercado, na visão dos analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim: transparência, disciplina na alocação de capital e cultura de governança sólida. Na entrevista, o CEO da Localiza destacou que a permaneceu incólume no período em que os juros saltaram de 2% a 13,75%, entre 2020 e 2023, graças ao caixa acumulado através de resultados que permitiu “enfrentar diferentes cenários” no período mais estressante.

O BTG também destacou que o papel negocia com desconto em relação à média histórica, a 11 vezes o lucro projetado para 2027. Ao banco, o preço-alvo das ações da Localiza de R$ 63,00 representa um retorno potencial de 22,6% sobre o preço de tela de R$ 51,39. Com dividendos, o lucro ao acionista pode ficar na casa de 23%, apontam os analistas.

As ‘garrafas de água’ da Localiza

Foi em 2020, em plena pandemia e nos juros de 2% ao ano, que a Localiza anunciou uma fusão bilionária com a Unidas, locadora rival e que foi convencida a entrar no negócio fundado pelos irmãos Salim e Eugênio Mattar.

A criação de sinergias entre Localiza e Unidas foi um desafio amais que amontoou na tempestade perfeita. Àquela altura, começavam as invasões de carros chineses no Brasil, o que colaborou para uma depreciação na fruta de carros usados da locadora. Como os carros ficam parados em um pátio esperando um novo motorista, custos começaram a pressionar a empresa.

Como ilustração, Lasanky comparou o negócio com uma metáfora de “alguém que compra uma garrafa d’água por US$ 1, vende por US$ 2 e, de repente, vê o custo subir para US$ 4”. A depreciação pesou sobre a ação da Localiza (RENT3), que ainda sofreu com a saída de investidores estrangeiros do Brasil. Como esses investidores detêm a maior parte do free float, ele chamou esse movimento de uma tempestade dentro da tempestade.

Projeções

Na visão do executivo, a Localiza aprendeu mais com a crise do que resolveu “achar um culpado ou ignorar os fatos”. O ápice veio quando a companhia escolheu reconhecer um impacto financeiro de R$ 2 bilhões no balanço em 2024, sendo R$ 1,7 bilhões somente no segundo trimestre, além de reconhecer perante o mercado que a depreciação continuaria elevada por algum tempo.

Nesse momento de crise, Lasanky também apontou que funcionários e clientes não podem ser afetados por cortes de despesas da Localiza. Na verdade, ao priorizar esses dois grupos, diz o executivo, a companhia saiu mais forte da crise do que quando entrou nela.

Por fim, o BTG Pactual estima que o lucro líquido da Localiza ultrapasse neste ano fique em torno de R$ 4,51 bilhões, saindo dos R$ 2,8 bilhões registrados em 2025, ou o equivalente a uma alta de 61%. Já o retorno sobre o capital investido (ROIC) deve subir de 12,9% para 16,6% no mesmo período.

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