A transição energética global continua acelerando e ganhando relevância não apenas do ponto de vista climático, mas também econômico e estratégico. Essa é uma das principais conclusões da 10ª edição do Sustainability Trends Report, publicado pela Generation Investment Management.
Segundo o relatório, os recentes choques nos mercados globais de energia, impulsionados pelos conflitos no Oriente Médio e na Europa, reforçaram os riscos associados à dependência de combustíveis fósseis. O estudo aponta que essa dependência passou a ser vista não apenas como um desafio ambiental, mas também como uma questão de segurança energética, segurança alimentar, resiliência econômica e custo de vida.
Os impactos foram sentidos em diferentes setores. As interrupções em rotas estratégicas de comércio afetaram o fornecimento de petróleo, gás natural, fertilizantes e matérias-primas críticas, gerando reflexos sobre a indústria, a produção de alimentos e até áreas como saúde e tecnologia.
Ao mesmo tempo, o relatório mostra que a transição para fontes limpas avança em ritmo crescente. Em 2025, o investimento global em energia limpa atingiu o recorde de US$ 2,2 trilhões, aproximadamente o dobro do valor destinado aos combustíveis fósseis. No mesmo período, a geração de energia solar cresceu 30% e a capacidade global de armazenamento em baterias avançou mais de 40%.
No setor de transportes, a eletrificação também ganhou escala. Um em cada quatro carros novos vendidos no mundo em 2025 já possuía conexão elétrica, enquanto os veículos movidos exclusivamente a gasolina seguem perdendo participação no mercado.
O relatório destaca ainda o papel central da China na transformação do setor energético. Embora continue sendo o maior consumidor de combustíveis fósseis e um dos maiores emissores globais, o país também lidera a produção de painéis solares, turbinas eólicas, baterias e veículos elétricos. Segundo a análise, a expansão da manufatura chinesa contribuiu significativamente para a redução dos custos das tecnologias limpas nas últimas décadas.
Para a Generation Investment Management, a segurança energética e a ação climática deixaram de ser agendas separadas. A avaliação é que a redução da dependência de combustíveis fósseis se tornou uma das formas mais eficazes de proteger economias contra choques geopolíticos, volatilidade de preços e interrupções nas cadeias globais de suprimento.
O estudo também aponta desafios relevantes para os próximos anos. Entre eles estão a necessidade de ampliar a infraestrutura de redes elétricas, acelerar os investimentos em energia limpa e lidar com o crescimento da demanda por eletricidade, impulsionado por novas tecnologias como a inteligência artificial.
Apesar dos avanços, a gestora destaca que os investimentos globais ainda precisam crescer significativamente para que as metas climáticas internacionais sejam atingidas. Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia citadas no relatório, os aportes anuais em energia limpa deverão alcançar cerca de US$ 4,5 trilhões no início da próxima década para manter o aquecimento global dentro da trajetória de 1,5°C.
