Relatório do BTG Pactual avalia como abstenção e ausência de segundo turno mexem com as disputas eleitorais
A abstenção eleitoral costuma ganhar destaque em anos de disputa acirrada, mas seu impacto efetivo pode ser menor do que o debate político sugere. É o que aponta o BTG Pactual em relatório que analisou como a ausência de parte do eleitorado influencia pesquisas, resultados e a dinâmica dos segundos turnos no Brasil.
Segundo o estudo, cerca de 20% dos eleitores aptos deixam de votar em um segundo turno presidencial. A principal conclusão é que existe, sim, uma diferença relevante entre o perfil de quem comparece às urnas e de quem se abstém. Em geral, os eleitores ausentes tendem a ter menor escolaridade e características demográficas distintas do eleitorado que efetivamente vota.
Ao simular cenários nos quais todos os eleitores aptos participariam da votação, os pesquisadores estimaram que a margem entre os dois principais campos políticos poderia variar entre 1,4 e 2,1 pontos percentuais. Embora o efeito seja considerado limitado, ele poderia fazer diferença em disputas decididas por margens muito estreitas.
O relatório também analisou se a ausência de um segundo turno para governador reduz o interesse dos eleitores em retornar às urnas para a disputa presidencial. Historicamente, os estados sem segundo turno estadual registraram aumento adicional na abstenção entre o primeiro e o segundo turno presidencial. Ainda assim, quando o tamanho dos eleitorados é levado em conta, esse impacto se mostra relativamente pequeno.
Outro ponto destacado é que o fenômeno está concentrado principalmente em municípios menores. Nas grandes cidades, o efeito da ausência de uma disputa estadual de segundo turno sobre o comparecimento eleitoral praticamente desaparece.
Para 2026, a projeção do BTG indica que a falta de segundos turnos para governador em diversos estados teria efeito modesto na abstenção nacional, acrescentando cerca de 0,19 ponto percentual ao índice de eleitores ausentes no cenário central analisado. A influência sobre a margem entre candidatos, segundo o estudo, seria de apenas algumas centésimas de ponto percentual.
Na avaliação dos pesquisadores, o canal existe e pode ser observado nos dados históricos, mas sua relevância tem diminuído ao longo dos últimos ciclos eleitorais. Hoje, o impacto da abstenção e da presença ou ausência de disputas estaduais simultâneas parece insuficiente para alterar de forma significativa o quadro nacional, embora continue sendo um fator relevante em eleições muito equilibradas.
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