Complexo na Galleria Vittorio Emanuele ganha conexão subterrânea, espaços privados e área para eventos; grupo descarta interesse na Armani
A Prada reformou e ampliou seu endereço histórico na Galleria Vittorio Emanuele II, em Milão, em uma tentativa de transformar a loja em algo além de um ponto de venda. O novo complexo reúne moda, arte, gastronomia e atendimento privado em oito andares no coração da cidade.
Segundo o CEO do grupo, Andrea Guerra, em entrevista à Reuters, a estratégia acompanha uma mudança no consumo de luxo, com clientes de maior renda buscando cada vez mais experiências exclusivas e atendimento personalizado.
As lojas masculina e feminina, que já funcionavam na galeria, agora estão conectadas por um túnel subterrâneo. O percurso reúne peças de arquivo e intervenções artísticas, entre elas bolsas Prada reinterpretadas por Damien Hirst e o vestido “Chandelier” usado por Carey Mulligan em O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann.
O complexo também se conecta à confeitaria Marchesi, controlada pela Prada, e inclui uma sala de exposição permanente, espaços para compras mediante agendamento e um apartamento destinado a jantares privados e eventos.
“É uma forma de mostrar nosso DNA, nossas raízes, nossa maneira de pensar e nosso ponto de vista”, afirmou Guerra.
A expectativa da empresa é que o endereço gere cerca de € 100 milhões por ano em receita. O valor investido na reforma não foi divulgado. Em 2025, o grupo registrou vendas de € 5,7 bilhões.
Luxo cada vez mais ligado à experiência
A ampliação em Milão acompanha um movimento mais amplo do setor. Em meio à desaceleração do consumo de luxo, as grandes marcas vêm concentrando esforços em consumidores de alta renda, menos sensíveis ao cenário econômico e mais interessados em serviços exclusivos.
Para Guerra, os espaços destinados a receber clientes ganharam peso dentro das lojas. A Prada já opera ambientes privados semelhantes em outras cidades e pretende levá-los às principais capitais internacionais.
Ao mesmo tempo, o grupo diz que continuará oferecendo produtos de entrada para o público aspiracional, com a intenção de manter esses preços relativamente estáveis.
Armani fora dos planos
Guerra também afirmou que a Prada não pretende fazer uma oferta pela Armani, que prepara a venda de uma participação de 15% na companhia.
“A Armani não está em nosso radar”, disse o executivo à Reuters.
Segundo ele, a prioridade do grupo está atualmente na Versace, adquirida pela Prada no ano passado. Após uma primeira fase dedicada à integração das operações e à busca por sinergias, a companhia começou a direcionar mais atenção ao futuro criativo da marca. O primeiro desfile de Pieter Mulier está previsto para janeiro.
A Prada também não prevê, no curto prazo, o lançamento de óculos inteligentes, apesar de já ter mantido conversas exploratórias com a EssilorLuxottica sobre o tema.
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