Em evento em Campos do Jordão, marca apresenta Lyriq e Vistiq, inicia pré-venda e aposta em tecnologia, conforto e performance para construir uma nova ideia de luxo no país
Entre Cadillacs clássicos e dois SUVs elétricos de última geração, a marca americana escolheu Campos do Jordão para marcar oficialmente sua chegada ao Brasil. Nesta terça-feira (15), Lyriq e Vistiq dividiram espaço com modelos históricos da fabricante em uma apresentação que usou justamente esse contraste para contar a próxima fase da Cadillac no país.
A imagem resume a estratégia. Com mais de 120 anos de história e uma presença que extrapolou o automóvel para aparecer no cinema, na música e na cultura popular, a Cadillac desembarca oficialmente no mercado brasileiro mirando agora um luxo menos associado à ostentação e mais a tecnologia, silêncio, conforto e experiência.

“A Cadillac é, sim, sinônimo de luxo, mas não é aquele luxo ostentação. É um luxo de experiência”, afirmou um dos executivos da GM durante a apresentação.
Para Thomas Owsianski, presidente da General Motors América do Sul, a operação brasileira vai além da chegada de dois produtos. “Hoje começamos a escrever a história da Cadillac no Brasil”, disse. Segundo ele, a entrada no país faz parte de uma estratégia de longo prazo e acompanha um momento de expansão internacional da marca.
A estreia também ocorre em um mercado que já começa a associar luxo à eletrificação. De acordo com Owsianski, o segmento premium movimenta cerca de 50 mil veículos por ano no Brasil, e aproximadamente metade desse volume já corresponde a modelos eletrificados.
Dois SUVs para apresentar a nova Cadillac
O portfólio começa 100% elétrico, com duas propostas distintas.
O Lyriq é o modelo que melhor traduz o reposicionamento pretendido pela marca. Tem cerca de 500 cv, autonomia superior a 400 quilômetros por carga e uma cabine dominada por uma tela curva de 33 polegadas com resolução 9K, além de sistema de áudio AKG.

“O Lyriq traduz para nós essa nova identidade do luxo, porque traz uma combinação de design, refinamento e tecnologia”, afirmou Nancy Serapião, diretora da Cadillac América do Sul. Segundo ela, os elementos de acabamento foram pensados “para ter a precisão de uma joalheria”.

Já o Vistiq leva a proposta para famílias que precisam de mais espaço. São três fileiras de assentos em configuração 2+2+2, suspensão a ar nas quatro rodas, visão noturna por infravermelho e dois motores que entregam mais de 600 cv.

A potência elevada não significa, porém, uma tentativa de transformar os SUVs em esportivos tradicionais. A ideia apresentada em Campos do Jordão passa justamente por combinar desempenho com uma experiência menos cansativa e mais silenciosa.
A jornalista Mariana Becker, que participou da apresentação, resumiu esse contraste como uma elegância “silenciosamente elegante”: potência e desenho marcante sem necessariamente recorrer ao excesso.
Performance sem abrir mão do conforto
Essa relação entre desempenho e conforto também apareceu na participação do piloto Pietro Fittipaldi, que integra o desenvolvimento do projeto da Cadillac na Fórmula 1.

Fittipaldi contou que entrou na equipe em 2025 e trabalha intensamente em simuladores no desenvolvimento dos carros. Em julho, segundo ele, chegou a completar 1.400 voltas virtuais.
A experiência das pistas ajuda a explicar uma ideia aparentemente contraditória: até um carro de competição precisa oferecer algum nível de conforto para permitir que o piloto extraia sua máxima performance.
“Os dois carros têm muita performance, um com mais de 600 cavalos e o outro com cerca de 500, mas também precisam ser confortáveis para dirigir no dia a dia”, afirmou. “Essa combinação entre performance, luxo, tecnologia e conforto é muito importante.”
A conexão com a Fórmula 1 não é apenas simbólica. A Cadillac também estará presente na etapa de Interlagos, em novembro, aproximando a chegada comercial da marca ao Brasil de sua nova fase no automobilismo internacional.
A experiência continua depois da compra
A Cadillac começa sua operação em São Paulo, Curitiba e Brasília, com espaços próprios e equipes especializadas. As primeiras lojas devem começar a funcionar em novembro, período previsto também para as primeiras entregas dos veículos.
Segundo Rafael Santos, VP de Vendas, Pós-Vendas e Operações de Marketing da GM América do Sul, a estrutura foi desenhada a partir de cerca de três anos de estudos sobre o consumidor brasileiro de automóveis de luxo.
Um dos pontos identificados foi uma insatisfação recorrente com o pós-venda do segmento premium, principalmente em relação a atendimento e disponibilidade de peças.
“A satisfação com o carro era muito boa e a satisfação com o pós-vendas era muito baixa. A gente quer mudar um pouco esse conceito na indústria brasileira”, afirmou.
A GM diz já ter cerca de 90% das peças dos novos modelos armazenadas no Brasil, com expectativa de chegar a 100% no início do próximo mês. Lyriq e Vistiq também chegam conectados ao sistema OnStar, com recursos como localização do veículo, comandos remotos, diagnóstico à distância e atualizações de software pela internet.
“Mais do que uma rede de pontos de venda e pós-vendas, a gente está criando uma jornada Cadillac”, disse Santos.
Em Campos do Jordão, essa tentativa de atualizar a ideia de luxo apareceu antes mesmo de os carros começarem a circular pelas ruas. Ao colocar modelos históricos ao lado de dois SUVs elétricos, a Cadillac transformou o próprio evento em uma espécie de linha do tempo: de um passado em que seu nome chegou a virar sinônimo de excelência a uma fase em que luxo pretende significar menos exibição e mais tecnologia, conforto e experiência.

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