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Vinhos raros da Romagna chegam ao Brasil com rótulos criados por artistas

Lorena Scavone Giron
14 de setembro de 2026
Poderi Morini estreia no país com castas pouco conhecidas por aqui, como Centesimino e Longanesi, e garrafas que aproximam vinho e arte

Uma região italiana ainda pouco explorada nas prateleiras brasileiras começa a ganhar espaço por aqui. A Poderi Morini, vinícola familiar de Faenza, na Emília-Romagna, chega ao Brasil em setembro com rótulos produzidos a partir de variedades como Sangiovese e Albana, mas também de uvas bem menos conhecidas fora da Itália, caso da Centesimino e da Longanesi.

Fundada em 1998 por Alessandro e Daniela Morini, a vinícola construiu parte de sua identidade em torno da preservação de variedades autóctones da Romagna. A entrada no mercado brasileiro é conduzida por Fabrício Morini, que pretende apresentar uma face da Itália vitivinícola menos associada às regiões já consagradas entre os consumidores locais.

Um dos elementos mais curiosos está fora da taça. Desde os primeiros anos da marca, artistas italianos são convidados a provar os vinhos e criar interpretações visuais para os rótulos. Entre os nomes que já participaram estão Pablo Echaurren, Giuliano Della Casa e o ceramista Gian Franco Morini.

A proposta acaba aproximando duas tradições fortes da região: viticultura e produção artística. Em vez de funcionar apenas como embalagem, o rótulo entra como uma espécie de tradução visual de cada vinho e de seu território.

Entre os rótulos que chegam ao Brasil está o Sette Note, feito com Albana, variedade branca histórica da Romagna. Nos tintos, aparecem diferentes interpretações do Sangiovese e o Savignone, produzido com Centesimino. A mesma uva também aparece no espumante brut Morosè, enquanto a Longanesi completa o conjunto de castas locais trabalhadas pela vinícola.

Os preços previstos ficam entre R$ 200 e R$ 600. A estreia brasileira passa pelo circuito I Love Italian Wines 2026, com etapas em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba ao longo de setembro.

Mais do que acrescentar novos rótulos italianos ao mercado, a chegada coloca em evidência uma tendência interessante no mundo do vinho: a procura por uvas menos óbvias, pequenos territórios e histórias locais, em contraponto à concentração em regiões e variedades já muito conhecidas.

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