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Nutrição de precisão é nova fronteira da proteína, avalia CEO Global da JBS

Da redação
10 de setembro de 2026

A busca por saúde, funcionalidade e maior qualidade nutricional vem levando a indústria global de alimentos a uma nova etapa: a da nutrição de precisão. A avaliação foi feita por Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, durante o Bradesco BBI Agro Summit, realizado nesta quinta-feira (10), em São Paulo.

Ao lado de Pedro Fernandes, sócio da McKinsey & Company, e sob moderação de Henrique Brustolin, do Bradesco BBI, Tomazoni afirmou que há uma mudança estrutural em curso no consumo de alimentos. Segundo o executivo, a proteína deixa de ser vista apenas como fonte de saciedade ou formação muscular e passa a ser analisada também por sua composição, digestibilidade, perfil de aminoácidos e potencial funcional.

“Nós vemos uma mudança estrutural que vai afetar tudo o que a gente entende como alimentação. Está acontecendo uma redescoberta da proteína como indutora de saúde. O consumidor não está olhando só proteína, mas o perfil de aminoácidos dessas proteínas”, afirmou Tomazoni.

No evento, os painelistas discutiram a influência dos medicamentos análogos de GLP-1 nos hábitos de consumo no Brasil. Para Tomazoni, esse movimento acelera uma transformação mais ampla, associada à maior atenção dos consumidores à saúde, à composição dos alimentos e à qualidade da nutrição. Segundo o executivo, essa mudança se conecta à redescoberta da proteína como elemento associado à saúde e ao valor nutricional dos alimentos.

Essa nova demanda tem levado a JBS a investir em biotecnologia, pesquisa e desenvolvimento para ampliar as aplicações da proteína. A companhia vem avançando em processos como hidrólise e identificação de peptídeos bioativos, com o objetivo de transformar matérias-primas da cadeia produtiva em ingredientes e produtos de maior valor agregado.

Entre as frentes mencionadas pelo executivo está o centro de inovação em biotecnologia da Companhia, a JBS Biotech, em Florianópolis, dedicada ao desenvolvimento de ciência aplicada à cadeia produtiva, para criar e agregar valor à produção de alimentos. Tomazoni destacou também a atuação da Genu-in, empresa da JBS Novos Negócios especializada em peptídeos de colágeno e gelatina. A operação desenvolve ingredientes e soluções para diferentes aplicações em alimentos, bebidas, suplementos e produtos funcionais, conectando pesquisa, comprovação científica e escala industrial.

Tomazoni abordou também a mudança no comportamento do consumidor em outros mercados. Nos Estados Unidos, a Just Bare, marca da Pilgrim’s Pride, controlada da JBS, alcançou US$ 1 bilhão em faturamento em menos de cinco anos, impulsionada pela demanda por frango congelado e fresco.

Para Tomazoni, o crescimento da demanda por alimentos mais nutritivos precisa vir acompanhado de ganhos de produtividade. Segundo ele, a indústria deve usar tecnologia, escala e inovação para produzir melhor, reduzir custos e tornar novas soluções acessíveis ao consumidor. “Não dá para repassar custos para o consumidor sob a justificativa de sustentabilidade. A grande palavra é aumentar a produtividade com tecnologia, escala e inovação para reduzir custos”, disse Tomazoni.

O executivo também relacionou essa agenda à segurança alimentar global. Após a pandemia, países passaram a tratar o abastecimento de alimentos como tema estratégico. Nesse contexto, Tomazoni disse que o Brasil tem papel relevante por sua capacidade produtiva e complementaridade com mercados que não são autossuficientes. “A segurança alimentar virou questão de Estado em todos os países pós-pandemia. Nem todos conseguirão ser autossuficientes, e o Brasil é o parceiro ideal para complementar essa oferta”, afirmou.

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