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Os moderados radicais

Aluizio Falcão Filho
12 de setembro de 2026

Você sabe o que é um oxímoro?

Essa palavra significa a combinação de termos contraditórios que, juntos, criam um sentido inesperado. Não é a mesma coisa que um paradoxo, com o qual costuma ser confundido: o oxímoro é a figura de linguagem, concentrada em uma expressão curta (geralmente um substantivo e um adjetivo contraditórios); o paradoxo é mais amplo: uma ideia ou afirmação que parece contraditória mas revela uma verdade quando examinada e pode ocupar uma frase inteira ou mais.

Um exemplo clássico de oxímoro é “silêncio ensurdecedor”. Mas há outros, como “morto-vivo” ou “doce amargura”. O título deste artigo encaixa-se nessa categoria. E o sentido inesperado dessa expressão mostra um pouco de nosso cenário político, tão permeado por contradições.

Os moderados radicais são aqueles eleitores que não desejam votar nem em Flávio Bolsonaro nem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa rejeição não vale apenas para o primeiro turno, mas também para a etapa final das eleições. São aqueles que pretendem votar nulo, em branco ou simplesmente não irão comparecer às urnas. Nas eleições de 2022, esse grupo chegou a quase 25% do total de eleitores.

Evidentemente, há aqueles que deixaram de comparecer às urnas por outros motivos e também aqueles que são tão radicais que não se identificam com nenhum dos candidatos que disputam essa campanha desde o início. Mas, de maneira geral, há muito eleitor moderado que não pode nem ouvir falar em Lula ou em Flávio. A última pesquisa Atlas, divulgada na quinta-feira, mostra que o presidente é rejeitado por 52,5% e o senador por 49,6% do eleitorado. É muito possível, assim, encontrarmos nessas estatísticas aqueles que rejeitam igualmente os candidatos da situação e da oposição.

Esses eleitores querem uma terceira via e não se conformam com a polarização política – um fenômeno criado justamente pelo radicalismo ideológico. Só que a rejeição aos principais nomes que representam os eleitores polarizados cria outro tipo de radicalismo: a desaprovação total dos candidatos mais votados por parte de uma minoria.

O radicalismo ideológico rejeita o adversário por princípio. Já o radicalismo da terceira via rejeita todos os candidatos por decepção. A lógica interna é a mesma nos dois casos. Ambos recusam a política como ela funciona de fato, uma disputa entre opções imperfeitas.

Moderação de verdade, contudo, significa pesar prós e contras e escolher, ainda que a contragosto, o caminho menos ruim. Quem vota nulo, em branco ou simplesmente não comparece simplesmente transfere a decisão para quem foi às urnas. O eleitor moderado radical acredita estar acima da polarização. No entanto, acaba compactuando com os radicais ao se abster. O oxímoro que usamos no título, assim, é mais do que um recurso retórico. Trata-se de uma expressão que descreve um eleitorado que acredita ter escapado da radicalização enquanto pratica a sua própria versão de extremismo.

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