PF cumpriu 49 mandados em investigação sobre recursos destinados ao filme de Jair Bolsonaro
As investigações envolvendo o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, tiveram uma série de desdobramentos nesta quinta-feira (10), em meio à crise que envolve a Polícia Federal (PF), o Banco Master e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A principal movimentação foi a Operação Make Up, da PF, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama.
A investigação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, apura suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Segundo a PF, há indícios da atuação de uma organização formada por agentes públicos e privados que teria direcionado recursos a empresas subcontratadas sem comprovação dos serviços. São apurados crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.
Ao retirar o sigilo da decisão que autorizou a operação, Dino também tornou públicas medidas cautelares impostas aos investigados. Frias, Karina e outros alvos estão proibidos de deixar o país sem autorização e de manter contato entre si, além de terem os passaportes recolhidos. O ministro justificou as restrições pelo risco de combinação de versões, destruição ou ocultação de provas e interferência nas diligências.
A frente conduzida por Dino se concentra principalmente no possível direcionamento de emendas parlamentares para organizações ligadas à produção do Dark Horse. Ela é diferente do inquérito relatado por André Mendonça, que investiga repasses relacionados ao Banco Master para o filme, inclusive recursos que teriam sido solicitados pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Documentos citados na decisão de Dino também revelaram novas movimentações financeiras relacionadas à produtora Go Up Entertainment. Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, o publicitário Marcello Lopes, amigo de Flávio, transferiu R$ 1 milhão à empresa. Lopes confirmou o pagamento e afirmou que entrou no projeto como investidor depois que os recursos anteriormente colocados por Daniel Vorcaro deixaram de chegar à produção. Relatórios do Coaf mencionados por Dino apontaram movimentações consideradas atípicas nas contas da Go Up no fim de 2025.
Pressão pela abertura dos inquéritos
Em paralelo ao avanço das investigações, o PT pediu ao STF a retirada do sigilo de apurações relacionadas ao Banco Master. O partido protocolou duas petições, destinadas a Mendonça e Dino, e argumentou que a divulgação parcial de informações estaria produzindo uma espécie de “publicidade em mosaico”, sem que o conteúdo integral dos processos seja conhecido. Para Mendonça, foram citados nove processos; no caso de Dino, quatro. O partido defende que dados pessoais, diligências em andamento e delações continuem protegidos.
Os acontecimentos desta quinta também se deram em meio à tentativa do presidente do STF, Edson Fachin, de conter os atritos internos na Corte. Segundo o Poder360, Fachin cancelou a sessão do plenário prevista para a tarde desta quinta para evitar que uma nova reunião dos ministros produzisse manifestações capazes de ampliar a crise. O Supremo já tem uma sessão marcada para 15 de setembro, quando deverá analisar se Alexandre de Moraes será investigado por sua relação com Daniel Vorcaro.
Também nesta quinta, Alexandre de Moraes chegou a anunciar um pronunciamento para as 11h, mas cancelou a manifestação pouco depois. Havia expectativa de que o ministro comentasse as 52 mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro. O episódio ocorreu um dia depois de Fachin retirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news e suspender decisões conflitantes de Mendonça e Dino sobre o comando da Polícia Federal, mantendo Andrei Rodrigues na direção-geral da corporação.
Assim, a operação sobre o Dark Horse acrescentou nesta quinta-feira uma nova frente à sequência de acontecimentos que já vinha envolvendo Banco Master, Polícia Federal e Supremo. Embora os inquéritos tenham objetos e relatores distintos, a circulação de recursos para a produção do filme e os personagens investigados passaram a conectar as diferentes apurações no centro da atual crise institucional.
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