Em entrevista a MONEY REPORT durante o jantar anual do Pacto Contra a Fome, Maurílio Biagi, CEO do Grupo Maubisa, defendeu maior pragmatismo no enfrentamento da insegurança alimentar no Brasil e criticou o que considera falta de ações efetivas para combater um problema que persiste mesmo em um dos maiores produtores de alimentos do mundo.
Segundo o empresário, é contraditório que o país, além de ocupar posição de destaque na produção e exportação de alimentos, ainda conviva com milhões de pessoas em situação de fome. Para Biagi, a permanência desse cenário revela falhas de gestão e de execução de políticas públicas ao longo das últimas décadas.
Ao comentar o papel do setor privado, o empresário afirmou que empresas podem contribuir com iniciativas de conscientização, educação e mobilização social, mas ressaltou que mudanças estruturais dependem de ações coordenadas e de ajustes na legislação. Entre os exemplos citados, ele mencionou a criação de mecanismos que facilitem a doação de alimentos próximos ao vencimento por supermercados e o aproveitamento de excedentes gerados por restaurantes, reduzindo desperdícios e ampliando o acesso a alimentos.
Biagi também chamou atenção para a necessidade de campanhas nacionais de educação voltadas ao combate ao desperdício. De acordo com ele, pequenas mudanças de comportamento da população poderiam gerar impacto relevante na disponibilidade de alimentos. O empresário defendeu ainda o melhor aproveitamento de áreas urbanas e terrenos ociosos para projetos de cultivo e produção agrícola, envolvendo comunidades interessadas em desenvolver essas atividades.
Outro ponto abordado foi a importância da educação como instrumento de transformação social. Na avaliação do CEO do Grupo Maubisa, escolas e iniciativas de formação podem desempenhar papel relevante ao disseminar conhecimento sobre produção, consumo consciente e segurança alimentar.
Ao final da conversa com a MONEY REPORT, Maurílio Biagi reconheceu o tom crítico de suas declarações, mas afirmou que a realidade da fome no Brasil causa indignação, especialmente diante da capacidade produtiva do país. Para ele, o combate à insegurança alimentar exige menos discurso e mais iniciativas práticas, capazes de conectar produção, distribuição e aproveitamento eficiente dos alimentos.