Mat Velloso afirma que tecnologia ainda amplia demanda por profissionais em algumas funções, mas prevê mudança conforme modelos assumam também tarefas de revisão
A inteligência artificial ainda pode estar ampliando a demanda por profissionais em determinadas atividades, mas esse movimento tende a ser temporário. A avaliação é de Mat Velloso, ex-vice-presidente da Meta e do Google DeepMind, que afirmou nesta segunda-feira (31), durante o Macro Day do BTG Pactual, que o avanço dos modelos deverá provocar redução de empregos à medida que a tecnologia passe a executar também funções hoje reservadas aos humanos.
Segundo Velloso, ferramentas de IA já aumentaram significativamente a capacidade de produzir códigos, documentos jurídicos e outros conteúdos. Como os resultados ainda precisam ser revisados por causa de erros e “alucinações”, profissionais que antes trabalhavam diretamente na produção passaram, em muitos casos, a atuar na checagem do material produzido pelas máquinas.
Na avaliação do executivo, essa dinâmica ajuda a explicar por que a adoção da IA ainda não provocou a queda no emprego inicialmente prevista por alguns especialistas. O quadro deve mudar, porém, conforme os próprios modelos se tornem mais eficientes na revisão. “Os empregos vão desaparecer, sim. É o que vai acontecer em seguida”, disse. Velloso afirmou que poderá chegar um momento em que empresas deixarão de exigir uma revisão humana e passarão a considerar indispensável a validação feita pela própria inteligência artificial.
Apesar do alerta, Velloso defendeu que empresas não enxerguem a tecnologia apenas como ferramenta para substituir trabalhadores. Segundo ele, as maiores oportunidades estão em atividades nas quais não há mão de obra suficiente para atender a demanda existente. Áreas como pesquisa científica, saúde, segurança pública, auditoria e fiscalização poderiam obter ganhos maiores do que aqueles proporcionados simplesmente pelo corte de postos de trabalho.
Antes do debate, Velloso fez uma apresentação sobre a corrida global pela inteligência artificial e chamou atenção para a infraestrutura necessária para sustentar a expansão da tecnologia. Ele defendeu que o Brasil trate a disponibilidade de energia e a atração de data centers como questões estratégicas, diante do aumento acelerado da demanda mundial por capacidade computacional.
Após a apresentação, Velloso participou de um painel moderado por Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual. Questionado sobre as oportunidades para o Brasil, o executivo afirmou que energia abundante pode representar uma vantagem competitiva, mas alertou que o país precisa ampliar sua capacidade e criar condições para receber novos investimentos.
No encerramento, Velloso aconselhou empresários e investidores brasileiros a incorporarem inteligência artificial às operações, mas também a identificar vantagens competitivas difíceis de serem reproduzidas pelos modelos, como dados proprietários, distribuição, infraestrutura e operações complexas. “Você vai ter que trabalhar com IA. Não tem como não trabalhar com IA”, concluiu.
Gostou do conteúdo? Inscreva-se e receba a newsletter de MONEY REPORT
