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Café vira marcador de pausa e foco para Millennials e Geração Z

Lorena Scavone Giron
12 de agosto de 2026
Em meio à rotina multitarefa, bebida ganha espaço como ritual de transição entre trabalho, estudo e momentos de socialização

Para Millennials e integrantes da Geração Z, o café começa a ocupar um papel que vai além da cafeína. Em uma rotina marcada por trabalho híbrido, estudos, excesso de telas e tarefas simultâneas, a bebida aparece cada vez mais como um pequeno ritual de organização do dia, usado para marcar momentos de foco, pausa e convivência.

A mudança acompanha transformações mais amplas no comportamento dessas gerações. Segundo a Gen Z & Millennial Survey 2026, da Deloitte, 74% dos profissionais da Geração Z e a mesma parcela entre os Millennials já utilizam inteligência artificial no trabalho. Ao mesmo tempo, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, bem-estar e produtividade sustentável aparecem entre as principais preocupações.

Nesse cenário, hábitos simples ganham uma função quase de “marcador” da rotina. Tomar um café antes de começar uma tarefa, fazer uma pausa no meio do expediente ou encontrar alguém em uma cafeteria ajuda a estabelecer divisões mais claras em dias cada vez mais fragmentados.

As próprias cafeterias também acompanham essa transformação. Dados da Mintel citados pela Go Coffee indicam que 70% dos brasileiros que consomem café fora de casa consideram esses estabelecimentos bons lugares para trabalhar ou estudar. Entre pessoas de 16 a 24 anos, o percentual chega a 74%. O acesso ao Wi-Fi também pesa na escolha do local para quase 60% desse público.

A mudança ajuda a consolidar cafeterias como um tipo de “terceiro espaço”, entre a casa e o escritório. Elas passam a servir simultaneamente como ponto de trabalho, estudo, reunião e encontro informal, especialmente em uma rotina profissional mais flexível.

Para André Henning, cofundador da Go Coffee, o comportamento já é perceptível no dia a dia do setor. “Hoje, percebemos que o café representa muito mais do que energia. Para Millennials e Geração Z, ele se tornou um momento de transição entre tarefas, uma pausa consciente e também uma oportunidade de conexão.”

A tendência também aparece em estudos internacionais sobre consumo de café, que relacionam mudanças no estilo de vida, busca por conveniência e interesse por experiências ao surgimento de novos formatos de consumo.

No fim, a mudança talvez esteja menos no café em si e mais no espaço que ele passou a ocupar. Em uma rotina cheia de estímulos e tarefas sobrepostas, alguns minutos em torno de uma xícara funcionam como uma pequena fronteira entre uma atividade e outra.

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