O Pacto Contra a Fome divulgou o relatório do primeiro semestre de 2026 com avanços importantes na agenda de segurança alimentar e nutricional. Apesar de o Brasil ter saído do Mapa da Fome da ONU em 2025, 54,7 milhões de pessoas ainda convivem com algum grau de insegurança alimentar, sendo 6,4 milhões em situação grave. O impacto econômico é expressivo: segundo a FAO, ignorar a fome custa 6,4% do PIB, enquanto resolvê-la de forma estrutural demandaria apenas 1,5%.
Entre as principais iniciativas, o projeto CEASA Desperdício Zero avançou com a implantação e modernização de bancos de alimentos em centrais de abastecimento, articulando mais de R$ 12 milhões em investimentos. No campo institucional, o fortalecimento do SISAN mobilizou gestores municipais no Maranhão e Pará, com 69 cidades comprometidas a elaborar planos de segurança alimentar ainda em 2026. A avaliação de impacto do sistema está sendo conduzida pelo Insper.
Na esfera política, o Pacto intensificou sua agenda legislativa, apoiando a tramitação de projetos como o PL 4501/2020 e o PL 2424/2024, além de acompanhar o novo Plano Nacional de Educação, que prevê reajuste anual para o Programa Nacional de Alimentação Escolar. A agenda executiva incluiu encontros com presidenciáveis e candidatos estaduais, consolidando o posicionamento suprapartidário da organização.
Outro destaque foi a preparação da edição 2026 do Prêmio Pacto Contra a Fome, com apoio de cinco agências da ONU e patrocínio de empresas como iFood, Vale e Valentino. A cerimônia está marcada para novembro, em São Paulo. O relatório também trouxe dados sobre a chamada “dupla carga da má nutrição”: enquanto milhões ainda enfrentam fome, o país registra crescimento acelerado da obesidade, inclusive entre crianças, com 80% delas consumindo ultraprocessados antes dos dois anos de idade.
A atuação multissetorial do Pacto Contra a Fome reforça que o combate à insegurança alimentar não é apenas uma pauta social, mas também econômica, com impacto direto na produtividade e na competitividade das empresas brasileiras.
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