Em entrevista a MONEY REPORT, Eduardo Carvalho, presidente da Equinix para a América Latina, destacou o forte desempenho global da companhia impulsionado pela demanda crescente de infraestrutura para inteligência artificial. Segundo ele, a empresa revisou para cima suas projeções até 2026, apoiada em resultados sólidos nos Estados Unidos e em outros mercados. A Equinix opera hoje cerca de 280 data centers em 77 localidades, incluindo Brasil, México, Colômbia, Peru e Chile.
Na América Latina, Carvalho ressaltou a expansão em São Paulo, considerado o mercado mais interconectado da região. O executivo lembrou que durante a Copa do Mundo os data centers da cidade registraram recordes de tráfego, reflexo do novo comportamento digital dos consumidores, que consomem conteúdos em tempo real via dispositivos móveis. Ele afirmou que a densidade de tráfego é o principal fator que orienta os investimentos da companhia.
Carvalho também apontou a matriz energética brasileira como diferencial competitivo. Com 92% de energia renovável, o país se torna atrativo para novos aportes e pode se consolidar como hub de inteligência artificial na América Latina. Para isso, segundo ele, é necessário maior alinhamento institucional e segurança jurídica, de modo a atrair empresas globais do setor.
O presidente da Equinix para a América Latina destacou ainda a importância da interconexão financeira. A empresa conecta bancos brasileiros à B3 e a bolsas internacionais como NASDAQ, Londres e Frankfurt, oferecendo latência de milissegundos essencial para operações de alta frequência. Esse ecossistema digital, afirmou, atrai grandes bancos e corretoras para os data centers da companhia.
Ao falar sobre inteligência artificial, Carvalho reconheceu que a tecnologia traz impactos positivos e negativos, mas reforçou que se trata de uma transformação inevitável. Ele acredita que funções repetitivas serão substituídas, enquanto outras ganharão força, mudando a relação de trabalho e a economia. Para a Equinix, o momento é de aceleração: a empresa planeja investir nos próximos cinco anos o equivalente ao que aplicou nos últimos 28, com 700 MW de expansão em andamento. Parte desse potencial, disse, poderia ser direcionado ao Brasil, caso haja avanços regulatórios e maior integração entre governo e setor privado.
