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Diversidade deixa de ser discurso e entra na estratégia do agronegócio

Lorena Scavone Giron
5 de agosto de 2026
Executivas de Cargill, Rabobank, BASF e CropLife defenderam metas, formação e acesso a posições de decisão para ampliar a presença feminina no setor

A presença de mulheres em cargos de liderança no agronegócio precisa deixar de depender de iniciativas isoladas e passar a fazer parte da estratégia das empresas. A avaliação reuniu executivas de diferentes elos da cadeia no painel “O agro também é uma carreira para elas”, realizado nesta quarta-feira, 5, durante o Summit Mulheres nas Profissões, em São Paulo.

Participaram da conversa Fabiana Alves, CEO do Rabobank Brasil; Vanessa Pereira, vice-presidente de Manufatura para Ag & Trading da Cargill na América Latina; Graciela Mognol, diretora de Marketing da BASF Soluções para Agricultura; Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil; e a investidora Amy Chan. A mediação foi de Teresa Vendramini.

O debate mostrou que o avanço feminino passa por três frentes principais: preparar mulheres para posições de comando, criar ambientes capazes de recebê-las e medir diversidade com o mesmo rigor aplicado aos demais indicadores do negócio.

“Não é uma questão diplomática ou política. É parte do negócio”, afirmou Fabiana Alves.

Segundo a executiva, o Rabobank acompanha há mais de uma década indicadores de diversidade e inclui o tema nas metas anuais de desempenho. O banco também mantém programas de formação de lideranças e mentoria reversa.

Vanessa Pereira destacou que ocupar um cargo de comando não significa ser automaticamente reconhecida como liderança. Para ela, as empresas precisam ir além da contratação e rever estruturas e culturas organizacionais.

“A questão não é apenas colocar a mulher na posição de liderança, mas tirá-la da invisibilidade”, disse.

Na BASF, Graciela Mognol defendeu metas de participação feminina, vagas afirmativas e programas de mentoria. Segundo ela, até a forma como uma oportunidade é divulgada pode afastar profissionais qualificadas.

“Diversidade não é bondade. Ela se traduz em projetos mais criativos e melhores resultados”, afirmou.

Ana Repezza apresentou iniciativas desenvolvidas durante sua passagem pela ApexBrasil, como o programa Mulheres e Negócios Internacionais, voltado à preparação de empresas lideradas por mulheres para exportar. Segundo ela, cerca de 4 mil negócios foram atendidos, e mais de 60% realizaram sua primeira exportação após participar do programa.

As participantes também ressaltaram que conhecimento técnico, sozinho, não basta. Para avançar na carreira, mulheres precisam ampliar o domínio sobre finanças, estratégia, balanços e indicadores de desempenho.

Ao final, as executivas defenderam que mulheres em posições de comando também assumam o compromisso de abrir espaço para outras profissionais, seja por meio de mentorias, indicações ou participação em reuniões estratégicas.

A mensagem central foi direta: o agro já conta com mulheres qualificadas. O próximo passo é garantir que elas participem das decisões que definem os rumos do setor.

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