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Ferragamo transforma sua obsessão por sapatos em campanha surrealista

Lorena Scavone Giron
3 de agosto de 2026
Sob direção de Maximilian Davis, coleção de inverno revisita ícones da maison e aproxima moda, arte e memória

Na campanha Fall-Winter 2026, a Ferragamo volta ao ponto de partida de sua identidade: os sapatos. Fotografada por Johnny Dufort, a nova comunicação da grife italiana recupera um imaginário recorrente em sua história, no qual estrelas do cinema aparecem cercadas por uma profusão de calçados, e o traduz para uma estética contemporânea e surrealista.

A narrativa reúne Anok Yai, Vittoria Ceretti, Jingyu Huang, Ning Chang e Thibaud Charon, além de incorporar a obra do artista norte-americano Willie Cole. Criada em 1994 inteiramente a partir de sapatos, a escultura escolhida pela marca funciona como uma espécie de trono para Anok Yai e reforça o interesse da coleção por objetos cotidianos deslocados de sua função original.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A aproximação com a arte acompanha o trabalho de Maximilian Davis, que vem explorando referências do surrealismo e do dadaísmo em suas últimas coleções. Nesse contexto, o sapato deixa de aparecer apenas como acessório e assume o papel de objeto de desejo, memória e construção técnica.

Entre os modelos revisitados está o stiletto inspirado em uma criação de Salvatore Ferragamo de 1954, agora apresentado com linhas mais gráficas. A coleção também recupera a Opanka, desenvolvida originalmente em 1957 e reconhecida por sua sola escultural, além de apresentar uma versão acolchoada da clássica Varina.

Foto: Divulgação

O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de atualização dos arquivos da maison. Em vez de reproduzir literalmente o passado, a Ferragamo trabalha seus códigos históricos por meio de novas proporções, acabamentos e materiais, preservando elementos ligados ao conforto, à inovação e à construção artesanal dos calçados.

Nos acessórios, a principal novidade é a bolsa Cara, produzida em couro de bezerro e estruturada em formato de acordeão, com fechamento marcado pelo Gancini, símbolo tradicional da marca. A Hug também aparece em uma versão East-West, de proporção horizontal, enquanto a linha masculina incorpora uma bolsa mensageiro de desenho mais urbano.

Foto: Divulgação
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Ao transformar os sapatos em cenário, escultura e protagonista, a campanha retoma um dos patrimônios mais reconhecíveis da Ferragamo e mostra como as casas de luxo seguem recorrendo aos próprios arquivos para construir uma imagem de futuro.

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