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Muito além do verde: jardins sensoriais transformam a casa em espaço de pausa

Lorena Scavone Giron
31 de julho de 2026
Projetos combinam aromas, texturas, sons e materiais naturais para criar ambientes mais acolhedores, inclusive em varandas e áreas internas

Durante muito tempo, o jardim foi pensado principalmente como elemento decorativo. Agora, o paisagismo começa a explorar também aquilo que não aparece nas fotografias: o perfume das plantas, o movimento das folhas, o som da água e as diferentes texturas encontradas pelo caminho.

É essa combinação que define o jardim sensorial, espaço planejado para estimular visão, audição, tato e olfato — e, em alguns projetos, até o paladar. Mais do que reunir espécies bonitas, a proposta é criar uma experiência capaz de convidar à pausa e tornar a relação com a natureza mais presente no cotidiano.

Cada vez mais, os jardins sensoriais têm se consolidado como espaços de relaxamento e de cuidado com a saúde mental | Projeto de paisagismo: Depieri Paisagismo | Projeto de arquitetura: MAAI Arquitetura | Foto: Clausem Bonifacio
O som da cascata de água e o verde ao redor criam um refúgio de tranquilidade | Projeto de paisagismo: Depieri Paisagismo | Projeto de arquitetura: MAAI Arquitetura | Foto: Clausem Bonifacio

O conceito pode aparecer em residências, condomínios, hotéis, escolas, hospitais, escritórios e espaços de bem-estar. Segundo os paisagistas Cleber e Arthur Depieri, do escritório Depieri Paisagismo, o ponto de partida está na escolha cuidadosa das plantas e dos materiais.

Folhas macias, rugosas ou aveludadas ajudam a estimular o tato, enquanto espécies aromáticas acrescentam novas camadas ao ambiente. Flores, folhagens de diferentes tons e plantas que se movimentam com o vento cuidam da parte visual.

A experiência sonora pode surgir naturalmente, com o balanço das copas, o contato entre as folhas ou a presença de fontes e pequenas cascatas. Pedras, seixos, cascas de árvores e madeira completam o projeto e reforçam a sensação de proximidade com a natureza.

Entre tons e formas, a natureza acolhe e inspira. Neste projeto, a espécie Jade traz ainda mais vida ao local | Projeto de paisagismo: Depieri Paisagismo | Foto: Divulgação
Diversas espécies formam uma parede vertical na área interna desta residência | Projeto de paisagismo: Depieri Paisagismo | Projeto de arquitetura: Denise Zuba | Foto: Clausem Bonifacio

“Um jardim sensorial bem executado deve reunir elementos que favoreçam uma experiência multissensorial”, explicam os profissionais.

Apesar do nome, esse tipo de jardim não precisa ocupar uma área extensa. Varandas, corredores iluminados e até cantos internos podem receber vasos, jardins verticais e espécies escolhidas para estimular mais de um sentido ao mesmo tempo.

Em espaços menores, plantas aromáticas costumam ter papel importante, assim como vasos posicionados em diferentes alturas e folhagens que possam ser tocadas com facilidade. A escolha, no entanto, deve considerar as condições reais do ambiente, como luminosidade, ventilação, umidade e tempo disponível para manutenção.

Um espaço de lazer e descanso onde a família se conecta com a natureza | Projeto de paisagismo: Depieri Paisagismo | Projeto de arquitetura: Denise Zuba Arquitetos | Foto: Julia Tótoli

Antes de selecionar as espécies, os paisagistas recomendam definir qual sensação o espaço deve transmitir. Um jardim voltado ao relaxamento, por exemplo, pode privilegiar o som da água e aromas mais suaves. Já uma área de convivência pode apostar em cores, texturas e plantas comestíveis.

Irrigação e drenagem também precisam ser planejadas desde o início. Sem esses cuidados, até um projeto visualmente bonito pode se tornar difícil de manter.

Envolta pelo verde, a área da ducha cria uma atmosfera natural e tranquila | Projeto de paisagismo: Depieri Paisagismo |
Foto: Divulgação

A segurança é outro ponto importante, especialmente em casas com crianças e animais. Nesses casos, a orientação é evitar plantas tóxicas, espinhos e materiais com superfícies cortantes. Podas regulares, adubação e reposição de espécies aromáticas ajudam a preservar a proposta ao longo do tempo.

Mais do que seguir uma tendência, o jardim sensorial amplia a função do paisagismo. O verde continua sendo parte da composição, mas deixa de ser apenas cenário para participar de forma mais direta da experiência de quem vive o espaço.

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