Moody’s vê economia mais consistente, enquanto rigidez orçamentária, dívida e juros altos dificultam a melhora da nota soberana
O Brasil voltou a ficar próximo do grau de investimento, mas ainda não reuniu as condições fiscais necessárias para recuperar o selo perdido na década passada. A avaliação é da Moody’s nesta quinta-feira (30), que mantém o país com nota Ba1 e perspectiva estável, um nível abaixo da classificação considerada segura para investimentos.
Durante o evento Inside LatAm: Brasil 2026, William Foster, responsável pela análise de risco soberano na agência, afirmou que o desempenho da economia já não é o principal obstáculo. O país tem apresentado crescimento acima de 2%, resultado considerado mais consistente do que o de parte de seus pares regionais.
O entrave está na combinação entre dívida elevada, juros reais próximos de 9% e pouca flexibilidade para alterar o Orçamento. Segundo Foster, o Brasil tem uma das estruturas de gastos mais rígidas da América Latina, atrás apenas da Argentina.
Essa rigidez reduz a capacidade do governo de ajustar as contas sem elevar impostos ou alterar despesas obrigatórias. A polarização política e a dificuldade de construir maioria no Congresso também tornam reformas estruturais mais difíceis.
A Moody’s estima que o país precisaria realizar um ajuste fiscal equivalente a cerca de 2% a 2,5% do PIB. Sem mudanças relevantes nas despesas, a dívida pública poderia se aproximar de 90% do PIB até 2030.
Os juros elevados agravam o problema porque aumentam o custo de financiamento da dívida. Na avaliação da agência, maior credibilidade fiscal poderia reduzir os prêmios cobrados dos títulos brasileiros e abrir espaço para taxas menores ao longo do tempo.
Entre as medidas mencionadas por Foster estão a revisão de benefícios fiscais, mudanças nas regras de aposentadorias e a redução da indexação de despesas. O desafio deverá permanecer para o governo que assumir após as eleições, diante de um Congresso fragmentado e de pouco espaço para cortes no Orçamento.
