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O duro desafio do CEO brasileiro para se manter no cargo

Lucas Andrade
29 de julho de 2026

Uma pesquisa inédita da EXEC revela que os CEOs brasileiros permanecem, em média, apenas 2,5 anos no cargo. O levantamento analisou 130 mandatos em posições de CEO, diretor-presidente ou diretor-geral, identificados em uma base de 228 perfis de executivos C-level.

Do total, 106 mandatos já estavam concluídos e 24 em curso. Entre os concluídos, 32% duraram de 1 a 2 anos, 15% de 2 a 3 anos e 26% de 3 a 5 anos.

O estudo mostra que a janela crítica de consolidação do CEO se concentra nos dois primeiros anos, período em que 44% dos mandatos chegam ao fim.

“O ambiente de negócios ficou mais dinâmico, os conselhos estão mais exigentes e a pressão por resultados acontece muito cedo”, afirmaAndré Freire, sócio-diretor da EXEC (imagem).

Entre os principais fatores para a alta rotatividade estão o desalinhamento de expectativas entre Conselho, acionistas e CEO, a rápida mudança de contexto que pode tornar o perfil contratado inadequado em poucos trimestres, e a menor tolerância a curvas longas de aprendizado.

Freire destaca ainda que a relação entre CEO e Conselho tornou-se decisiva, com confiança e alinhamento pesando tanto quanto a capacidade de execução.

Ele observa que o cargo passou a ser avaliado em ciclos mais curtos do que há uma década, em um ambiente competitivo que revisita estratégias e lideranças com maior frequência.

O paradoxo, segundo ele, é que cresce a complexidade do papel do CEO ao mesmo tempo em que diminui o tempo para demonstrar entrega.

O estudo indica que os primeiros 12 meses costumam ser consumidos por diagnósticos e ajustes, enquanto as transformações mais profundas aparecem depois disso.

Por isso, os dois primeiros anos são decisivos para o sucesso de um mandato.

“Isso aumenta a importância de um processo de sucessão bem conduzido, de critérios claros na escolha do executivo e de um onboarding estruturado”, completa Freire.

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