Healthtech reúne avaliação médica, acompanhamento digital e entrega em casa em programas para queda de cabelo, emagrecimento e saúde mental
Entre marcar uma consulta, buscar a receita e comprar o medicamento, muitos pacientes abandonam o tratamento antes mesmo de começá-lo. É nesse percurso que a healthtech eles. pretende construir seu negócio, oferecendo programas por assinatura voltados à queda de cabelo, ao emagrecimento e à saúde mental.
“A jornada inteira é desenhada contra o paciente”, afirma Felipe Ribeiro, médico e cofundador da empresa. Para ele, a quantidade de etapas exigidas no atendimento tradicional ajuda a explicar por que parte dos homens adia ou interrompe os cuidados com a saúde.
Na plataforma, o usuário responde a um questionário sobre histórico, sintomas e hábitos. Um médico analisa as informações, define a conduta e, quando necessário, emite a prescrição. Os medicamentos são fornecidos por farmácias parceiras e entregues na casa do paciente.
A eles. afirma que não é uma farmácia nem realiza diretamente os atendimentos clínicos. Seu papel é organizar a jornada entre pacientes, profissionais de saúde e estabelecimentos farmacêuticos.
“Quando você reduz a fricção, mais pessoas conseguem realmente cuidar da própria saúde”, diz Ribeiro.
A companhia foi criada no fim de 2024 por Ribeiro e Abrahão Fecury e, posteriormente, incorporou a Proself, plataforma de assinatura especializada em tratamentos contra a queda de cabelo. A união permitiu que a operação começasse com uma base de clientes e receita recorrente.
Em março de 2026, a empresa declarava atender mais de mil pacientes recorrentes e faturar aproximadamente R$ 1,5 milhão por ano. Os programas partiam de cerca de R$ 80 mensais na área capilar, R$ 180 em saúde mental e R$ 295 para emagrecimento. A meta anunciada era alcançar entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões em receita recorrente anual até o fim do ano.
O modelo busca transformar tratamentos prolongados em assinaturas mensais, trimestrais ou semestrais. Para a empresa, a recorrência facilita o acompanhamento e reduz as desistências, especialmente em áreas como a queda capilar, na qual os primeiros resultados podem levar meses.
As três frentes também permitem que a plataforma amplie a receita dentro da própria base. Um usuário que chega pelo tratamento capilar pode, posteriormente, buscar acompanhamento para emagrecimento ou saúde mental.
“O consultório físico tem prazo de validade”, escreveu Ribeiro em uma publicação nas redes sociais, ao defender que uma parcela crescente dos tratamentos será conduzida digitalmente, com avaliação médica e entrega dos produtos em casa.
A tese acompanha o avanço da telemedicina e a procura por conveniência, mas exige atenção aos limites regulatórios. O Conselho Federal de Medicina determina consultas presenciais periódicas em tratamentos prolongados, enquanto a Anvisa vem ampliando a fiscalização sobre medicamentos manipulados, especialmente os usados para emagrecimento.
Para a eles., a assinatura pode aumentar a continuidade do cuidado e garantir previsibilidade financeira. O desafio será escalar a operação sem transformar conveniência em atalho para etapas essenciais do acompanhamento médico.
