Intermediários levam a experiência do pagamento brasileiro a lojas, hotéis e restaurantes, recebem em reais e repassam o valor aos comerciantes na moeda local
O Pix começa a aparecer na rotina de brasileiros em viagens internacionais. Em estabelecimentos credenciados, o turista escaneia um QR Code pelo aplicativo bancário, confere o valor convertido em reais e confirma a compra de forma semelhante à usada no Brasil.
A experiência pode até parecer a mesma, mas há uma diferença importante: ainda não existe um Pix Internacional oficial operado pelo Banco Central. O Pix permanece definido pela autoridade monetária como o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. No exterior, bancos e empresas privadas usam a infraestrutura nacional para receber os reais, realizar o câmbio e repassar o pagamento ao comerciante na moeda local.
Argentina inicia operação com Banco do Brasil
Na Argentina, o Banco do Brasil lançou em março uma solução desenvolvida em parceria com o Banco Patagonia. Ela pode ser usada por clientes de qualquer instituição brasileira participante do Pix, e não apenas por correntistas do BB.
O consumidor escaneia o QR Code do estabelecimento e tem o valor final apresentado em reais antes de confirmar a operação. O comerciante recebe em pesos argentinos, enquanto o Banco do Brasil processa a conversão cambial e os tributos aplicáveis. A instituição estuda levar o modelo a outros mercados das Américas, da Europa e da Ásia.
Chile amplia presença no turismo
No Chile, a PagBrasil oferece uma solução semelhante em parceria com empresas locais. A modalidade já aparece em estabelecimentos voltados ao turismo, como hotéis, restaurantes, lojas, locadoras e centros de esqui.
Segundo projeção divulgada pela própria empresa, as transações devem superar US$ 10 milhões entre junho e setembro de 2026, crescimento de 900% em relação à temporada de inverno anterior. Como se trata de uma estimativa empresarial, o valor ainda não representa resultado consolidado.
A PagBrasil informa que atua como agente de coleta do pagamento e realiza o câmbio por meio do serviço de pagamento ou transferência internacional, conhecido como eFX, com bancos autorizados pelo Banco Central. A cotação é calculada no momento da compra, e o valor definitivo em reais aparece antes da confirmação.
Câmbio e IOF continuam na conta
Apesar da praticidade, o pagamento não elimina os custos de uma compra internacional. A operação envolve conversão de moeda e incidência de IOF. Segundo a PagBrasil, a alíquota aplicada ao seu serviço é de 3,5%, além de eventual margem cambial ou tarifa prevista pela empresa responsável pela transação.
Por isso, o turista deve conferir o valor final exibido na tela e compará-lo com outras opções, como cartão internacional, conta em moeda estrangeira ou dinheiro em espécie. A aceitação também permanece restrita aos estabelecimentos integrados às redes participantes.
