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Tarifaço: maioria vê motivação política, mas país se divide sobre responsáveis, aponta BTG/Nexus

Da redação
27 de julho de 2026
Pesquisa mostra que o tema já alcançou a maior parte da população e evidencia que a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro também molda a percepção sobre as razões e os responsáveis pelas tarifas impostas pelos EUA

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já faz parte da agenda política nacional e é interpretado pela maioria da população como uma decisão de natureza política. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (27) mostra que 80% dos brasileiros afirmam conhecer, em maior ou menor grau, o episódio, enquanto 53% avaliam que a medida adotada pelo presidente Donald Trump teve como objetivo pressionar o governo brasileiro e influenciar o cenário político do país. Outros 32% entendem que a decisão foi motivada principalmente por interesses comerciais.

Apesar dessa percepção majoritária sobre a motivação da medida, a pesquisa revela que a polarização política segue determinando a forma como o episódio é interpretado pelos eleitores. Entre os entrevistados identificados como lulistas convictos, 69% atribuem ao tarifaço uma motivação política. Já entre os bolsonaristas convictos, essa parcela cai para 44%, enquanto entre os eleitores não polarizados o índice fica em 50%, evidenciando que a leitura sobre a crise comercial varia de acordo com o posicionamento político de cada grupo.

A divisão fica ainda mais evidente quando os entrevistados são questionados sobre quem tem razão ao explicar as causas do tarifaço. O levantamento aponta empate técnico e numérico: 41% concordam com a versão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que atribui a medida à atuação de Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos, enquanto outros 41% endossam o argumento do senador, que responsabiliza o governo federal pela deterioração das relações diplomáticas com Washington. Outros 10% afirmam que nenhum dos dois está certo, 5% dizem que ambos têm razão e 3% não souberam responder.

Os resultados sugerem que, embora o tarifaço tenha alcançado amplo conhecimento entre os brasileiros e seja percebido majoritariamente como um movimento político, o debate sobre suas causas já foi incorporado à disputa entre governo e oposição. Em vez de produzir consenso sobre os responsáveis pela crise comercial, o episódio reforça a divisão do eleitorado e reproduz, no campo da política externa, a mesma polarização que marca a corrida presidencial de 2026.

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