A percepção dos eleitores brasileiros sobre os Estados Unidos sofreu uma mudança significativa em 2026. Pesquisa PoderData realizada entre 18 e 20 de julho mostra que 52% dos entrevistados defendem maior aproximação comercial com a China, enquanto apenas 35% preferem os norte-americanos. O resultado inverte o cenário de 2025, quando 59% apontavam os EUA como parceiro prioritário e 32% escolhiam a China.

O desgaste da imagem norte-americana foi antecipado em outro levantamento, feito dias antes, que revelou que 42% dos eleitores consideram negativo o apoio do presidente Donald Trump a um candidato brasileiro. O dado reforça a percepção de que a relação bilateral atravessa um período de instabilidade.

A tensão cresceu após as tarifas impostas pelo governo dos EUA sobre produtos brasileiros. Em julho de 2025, Trump determinou uma taxação de 50% sobre exportações, alegando questões ligadas ao processo judicial contra Jair Bolsonaro. Em junho de 2026, novas tarifas de 25% foram confirmadas, seguidas por uma sobretaxa adicional de 12,5% em julho, sob a justificativa de práticas desleais e denúncias de trabalho escravo. As medidas provocaram reação imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que intensificou críticas e reforçou o discurso de soberania.
O efeito prático foi a aceleração da aproximação comercial com a China. Em 2025, o crescimento das exportações brasileiras para o mercado chinês compensou a retração causada pelas tarifas norte-americanas. Entre agosto e novembro, os embarques para a China avançaram 28,6% em relação ao mesmo período de 2024, enquanto as vendas para os EUA caíram 25,1%. A expectativa é que o movimento se repita diante da nova onda de barreiras comerciais.
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