PATROCINADORES

Exame: Quem é Yang Zhilin, o jovem de 34 anos por trás da Moonshot AI que desafia ChatGPT e Claude

Da redação
23 de julho de 2026
Formado pela Tsinghua e PhD na Carnegie Mellon, o fundador da Moonshot AI abriu mão de ofertas no Ocidente para liderar a revolução da inteligência artificial na China

Nas últimas semanas, outra empresa chinesa de inteligência artificial (IA) tem vivido o que, no ano passado, ficou conhecido como “momento DeepSeek”.

À época, um modelo de linguagem da companhia foi capaz de derrubar as ações das big techs e de causar preocupação para os maiores nomes da área, como a OpenAI, do ChatGPT, e a Anthropic, do Claude.

Agora, o alvo é a Lua: a Moonshot AI, com o anúncio do Kimi K3, virou assunto no mercado e atraiu a atenção até do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Por trás de tudo está Yang Zhilin, de 34 anos, um pesquisador que já sonhou em ser estrela do rock ou poeta errante — mas, no fim das contas, construiu um dos modelos de IA mais comentados do mundo.

O filho da própria máquina que quer desmontar

A trajetória de Yang tem uma ironia no centro — ele é produto das mesmas instituições americanas que hoje desafia.

Formou-se em ciência da computação na Universidade Tsinghua, a mais prestigiada da China, e fez doutorado na Carnegie Mellon University (CMU), nos Estados Unidos, concluído em 2019, em apenas quatro anos, um prazo rápido para o padrão americano.

Antes de virar empresário, já tinha nome na pesquisa. É coautor do XLNet e do Transformer-XL, dois modelos de linguagem que serviram de base para a geração atual de sistemas, e publicou mais de vinte artigos nas principais conferências de IA. Estagiou no Google Brain e no Facebook AI Research, os dois maiores laboratórios de IA do Ocidente à época.

“Absolutamente brilhante”, escreveu Ruslan Salakhutdinov, seu orientador na CMU, em publicação no X após o lançamento do Kimi K3. Ele lembrou que Yang concluiu o doutorado em quatro anos e era disputado pelas grandes empresas de tecnologia.

A escolha que virou símbolo

Disputado é a palavra para defini-lo. Segundo a imprensa asiática, Yang recebeu ofertas das gigantes americanas — a Apple é citada entre as interessadas —, mas fez o caminho inverso do esperado: voltou para a China.

Lá, trabalhou no modelo PanGu, da Huawei, e no projeto Wu Dao, da Academia de IA de Pequim, antes de fundar a própria empresa.

A decisão, hoje, é lida como um gesto geopolítico. Em entrevista à imprensa chinesa em março, Yang justificou o retorno com um argumento sobre talento.

Segundo ele, a China construiu ao longo de décadas um sistema capaz de formar, da educação básica ao doutorado, as pessoas com maior capacidade de investigação do mundo. Uma pergunta sobre sua trajetória, postada no X, passou de 7 milhões de visualizações.

Escala antes de algoritmos: a filosofia de engenharia de Yang

A filosofia de engenharia de Yang cabe em uma frase, dita ao jornalista Xiaojun Zhang. “Se dá para resolver com escala, não resolva com um novo algoritmo. O valor do novo algoritmo é permitir uma escala melhor”, afirmou.

É a aposta na força bruta de dados e capacidade computacional, e foi ela que definiu a primeira marca registrada da Moonshot, de modelos capazes de processar contextos longos, ou seja, documentos extensos de uma só vez — recurso que a empresa lançou antes de boa parte dos concorrentes ocidentais.

O objetivo declarado é ambicioso. Zhilin quer chegar à AGI, a inteligência artificial geral, capaz de igualar ou superar o raciocínio humano na maioria das tarefas.

O que é o Kimi K3 e por que ele mexeu com o mercado

Lançado em 16 de julho, durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Xangai, o Kimi K3 é apresentado pela Moonshot como o maior modelo de pesos abertos do mundo, com 2,8 trilhões de parâmetros — os valores internos que o sistema ajusta para aprender.

Ser de pesos abertos significa que qualquer desenvolvedor poderá baixar, modificar e rodar o modelo sem pagar licença, algo que a empresa promete liberar por completo até 27 de julho.

A combinação que assustou o mercado tem três partes: desempenho perto do topo, preço muito menor e código aberto.

Em avaliações independentes, o Kimi K3 superou o GPT-5.6, da OpenAI, em certas tarefas, ficando atrás apenas do Claude Fable 5, da Anthropic, no desempenho geral. Em programação de front-end — a construção da parte visível de sites e aplicativos —, o modelo assumiu o primeiro lugar em um ranking de referência, à frente dos dois rivais americanos.

O preço é o outro golpe. A Moonshot cobra US$ 15 por milhão de tokens de saída — as unidades de texto processadas pelo modelo —, contra US$ 30 do GPT-5.6 Sol e US$ 50 do Claude Fable 5, segundo a tabela da própria empresa.

Assim como em janeiro de 2025, investidores passaram a questionar se os bilhões despejados em infraestrutura de IA nos Estados Unidos se justificam, caso um concorrente chinês entregue desempenho parecido por uma fração do custo.

O índice de semicondutores da Filadélfia caiu mais de 20% ante o pico de junho, entrando em mercado de baixa, e a Nvidia recuou no pré-mercado. Bolsas asiáticas sentiram mais forte e Taiwan caiu mais de 6% e o Japão fechou em queda de 4%.

Nem todos, porém, compraram o pânico.

Parte dos analistas aponta que os números de desempenho vieram, em boa medida, de testes da própria Moonshot ou de rankings em que a empresa submeteu os próprios resultados — a verificação plena só será possível quando os pesos forem liberados.

Uma avaliação independente da Artificial Analysis mediu uma taxa de alucinação de cerca de 51% no modelo, dado que a Moonshot não destaca em seus gráficos.

E há a questão do custo real. Como o Kimi K3 opera apenas em seu modo de raciocínio mais pesado, ele consome mais tokens por tarefa, o que pode estreitar a vantagem do preço de tabela.

O lado escuro da Lua

A Moonshot AI foi fundada em março de 2023 por Yang e dois colegas de Tsinghua, Zhou Xinyu e Wu Yuxin.

O nome em chinês significa “lado escuro da Lua” — uma homenagem ao álbum “The Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd, disco favorito de Yang, cujo aniversário de 50 anos coincidiu com o lançamento da empresa.

A companhia se tornou uma das mais valiosas do setor na China.

Em maio de 2026, uma rodada de US$ 2 bilhões, liderada pelo braço de investimentos da Meituan, elevou seu valor de mercado a US$ 20 bilhões — cerca de cinco vezes mais que os US$ 4,3 bilhões do fim de 2025. Entre os investidores estão a Alibaba, apontada como maior acionista externa, além de Tencent e da estatal China Mobile.

“Se dá para resolver com escala, não resolva com um novo algoritmo.” — Yang Zhilin

Yang entrou na lista Forbes 30 Under 30 Asia em 2021. Cinco anos depois, seu modelo mais recente virou o tipo de acontecimento que move mercados e desperta governos — o “momento” que agora leva o nome da sua empresa, e não mais o de uma rival.

Raio-x do executivo

Nome: Yang Zhilin (34 anos)

Formação: Universidade Tsinghua / Doutorado na Carnegie Mellon University (CMU)

Empresa: Moonshot AI (avaliada em US$ 20 bilhões em 2026)

Produto Principal: Kimi K3

Passagens anteriores: Google Brain, Facebook AI Research, Huawei (PanGu)


Por Tamires Vitorio

Publicação original

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve